sexta-feira, setembro 21, 2007

Inacreditável

Não sei se as informações disponibilizadas no site da Câmara Municipal de Lisboa são ou não fidedignas, actualizadas ou rigorosas. No entanto, está lá disponibilizada uma lista das "divisões", "departamentos" e "unidades" que compõem a autarquia (não sei qual seja a diferença entre todas elas), cada uma com o seu próprio númerozinho de telefone. Vejam e digam-me se isto é normal:


Departamento de Abastecimentos

Divisão de Apoio Administrativo e Financeiro

Divisão de Apoio à Assembleia Municipal

Divisão de Apoio à Acção Social Interna

Divisão de Análise e Controlo Financeiro

Divisão de Apoio à Câmara Municipal

Departamento de Ambiente e Espaços Verdes

Divisão de Auditoria de Finanças e Operações

Departamento de Auditoria Interna

Divisão de Apoio Juvenil

Departamento de Apoio Jurídico à Actividade Financeira

Departamento de Apoio aos Orgãos do Município

Departamento de Apoio à Presidência

Divisão de Auditoria de Projectos e Actividades

Departamento de Acção Social

Divisão de Apoio Sócio-Educativo

Departamento de Bibliotecas e Arquivos

Departamento de Contabilidade

Departamento de Construção e Conservação de Equipamentos

Departamento de Construção e Conservação de Habitação

Departamento de Construção e Conservação de Instalações Eléctricas e Mecânicas

Departamento de Conservação de Edifícios Particulares

Divisão de Comunicação e Imagem

Divisão de Cadastro Municipal

Departamento de Desporto

Divisão de Equipamentos Escolares e de Apoio à Juventude

Departamento de Educação e Juventude

Departamento de Estudos e Planeamento Financeiro

Divisão de Estudos, Programação e Gestão dos Realojamentos

Divisão de Estudos, Planeamento e Informação

Divisão de Equipamentos Públicos e Licenciamentos Especiais

Departamento de Empreitadas, Prevenção e Segurança de Obras

Divisão de Fiscalização de Obras de Instalações Eléctricas e Mecânicas

Departamento de Formação, Saúde, Higiéne e Segurança

Divisão de Galerias e Ateliers

Departamento de Gestão do Espaço Público

Divisão de Gestão de Frota

Divisão de Gestão de Feiras, Venda Ambulante e Comércio Não Sedentário

Divisão de Gestão de Informação e Apoio Técnico

Divisão de Gestão de Mercados e Lojas

Divisão de Gestão de Obras de Arte

Departamento de Gestão dos Recursos Humanos

Departamento de Gestão Social do Parque Habitacional

Departamento de Gestão Urbanistica I

Departamento de Gestão Urbanistica II

Departamento de Higiene Urbana e Resíduos Sólidos

Gabinete de Fiscalização do Departamento de Higiene Urbana e Resíduos Sólidos

Gabinete de Relações Públicas

Divisão de Informação e Atendimento

Divisão de Intervenção nos Bairros Municipais

Divisão de Inspecção e Fiscalização

Departamento de Informação Geográfica e Cadastro

Divisão de Iluminação Pública

Divisão de Iluminação Pública (Piquete)

Divisão de Informação Urbana Georeferenciada

Departamento Jurídico

Divisão de Limpeza Urbana

Direcção Municipal de Actividades Económicas

Departamento de Modernização Administrativa e Gestão da Informação

Direcção Municipal de Acção Social, Educação e Desporto

Direcção Municipal de Ambiente Urbano

Direcção Municipal de Cultura

Divisão de Gestão de Arquivos

Direcção Municipal de Conservação e Reabilitação Urbana

Departamento de Monitorização e Difusão de Informação Urbana

Direcção Municipal de Finanças

Direcção Municipal de Gestão Urbanística

Direcção Municipal de Habitação

Divisão de Museus e Palácios

Direcção Municipal de Protecção Civil, Segurança e Tráfego

Direcção Municipal de Projectos e Obras

Direcção Municipal de Planeamento Urbano

Direcção Municipal de Recursos Humanos

Direcção Municipal de Serviços Centrais

Divisão de Novas Tecnologias

Divisão de Projectos e Acompanhamento de Obras

Departamento de Património Cultural

Departamento de Protecção Civil

Divisão de Património Cultural

Divisão de Programação e Divulgação Cultural

Departamento de Planeamento Estratégico

Departamento de Projectos Estratégicos

Departamento de Património Imobiliário

Departamento de Planeamento de Infra-Estruturas

Departamento de Obras de Infra-estruturas e Saneamento

Departamento de Planeamento e Projectos

Departamento de Planeamento Urbano

Divisão de Qualificação do Espaço Público

Divisão de Relações Externas e Protocolo

Departamento de Reabilitação e Gestão de Unidade de Projecto

Departamento de Reparação e Manutenção Mecânica

Departamento de Serviços Gerais

Divisão de Segurança, Higiéne e Saúde

Departamento de Segurança Rodoviária e Tráfego

Departamento de Turismo

Divisão de Telecomunicações e Administração de Sistemas

Departamento de Urbanismo Comercial

Unidade de Projecto de Alfama

Unidade de Projecto da Alta do Lumiar

Unidade de Projecto do Bairro Alto e Bica

Unidade de Projecto da Baixa-Chiado

Unidade de Projecto de Chelas

Unidade de Projecto do Castelo

Unidade de Projecto da Mouraria

Unidade de Projecto da Madragoa e São Paulo

Unidade de Projecto do Parque Mayer

Unidade de Projecto do Parque das Nações

Unidade de Projecto de São Bento

domingo, setembro 16, 2007

O meu contributo para o Caso Maddie

Serve o presente post para alertar as autoridades policiais responsáveis pela investigação do desaparecimento da pequena Maddie, bem como todos os portugueses e ingleses e resto do mundo e arredores, que existe uma hipótese que, incompreensivelmente diria eu, ainda não foi aventada: abdução alienígena.

De nada.

quinta-feira, setembro 13, 2007

My workplace



À janela do terceiro andar do número catorze da Rua do Norte, a mais trendy do Bairro Alto.

Mas como é que eu nunca me lembrei disto antes?

Ando a precisar de ânimo na minha vida académica. No ano lectivo que se avizinha, vou ter que preparar a elaboração de uma tese de mestrado, coisa que deve ter pés e cabeça, ao contrário dos "trabalhos" que tenho entregue durante os semestres e cujas notas não têm sido famosas.

Não devo temer, porém! A avaliar pelos temas de certas teses que se fazem por aí, isto de fazer um mestrado pode afinal ser bem divertido e, acima de tudo, genuinamente educativo e construtivo.

Há quem faça teses de doutoramento (de doutoramento, o que é ainda pior) sobre a sexualidade no Capuchinho Vermelho.

"Entre leituras à volta de Proust e de Perrault, com inúmeras entrevistas pelo meio, [Francisco Vaz da Silva, professor no ISCTE] chegou a conclusões curiosas. Afinal, o lobo mau é um lobisomem ("porque fala e muda de pele") e o Capuchinho Vermelho uma adolescente de 14 anos prestes a perder a virgindade. Há sexualidade do primeiro ao último acto. Basta ler nas entrelinhas, diz. Não é por acaso que o Capuchinho chega a casa da avó cheio de flores. "Elas estão associadas à virgindade. Por isso se diz que uma mulher foi desflorada". Das flores, o estudioso avança para a avó do Capuchinho - previamente morta pelo lobo e servida à protagonista numa salgadeira. "O Capuchinho come a avó e bebe o seu sangue, o que simboliza o ritual de passagem de geração. A avó sai da vida sexual activa e a neta inicia-a". Já de estômago cheio, faz um strip para o lobo, o que tem toda a lógica para o antropólogo. "A menina é virgem e está na pujança dos seus 14 anos". Por fim, o lobo come-a. Apesar de insólita, a tese de doutoramento foi bem acolhida pelo meio académico. O professor teve nota máxima no doutoramento (aprovado com distinção e louvor)."

(suplemento sobre pós-graduações da Sábado desta semana)

É sempre hilariante que se tenha que ler Proust e Perrault para descobrir possíveis significados ocultos e profundamente simbólicos em histórias como o Capuchinho. Tenho já uma ideia para a minha futura tese: vou inspirar-me nas obras completas de Freud e Foucault para falar sobre a carga altamente erótica do nariz do Pinóquio.

Deste excerto, gosto especialmente da parte que diz: "já de estômago cheio, faz um strip para o lobo". Muito se diverte esta malta.

terça-feira, setembro 11, 2007

domingo, setembro 09, 2007

Patrocínio



Este blogue apoia Roger Federer no US Open 2007

sexta-feira, setembro 07, 2007

And the winner is


Tcha tcha tcha tcham.... o TOSHIBA SATELLITE A200-1KB !

Core 2 Duo T7 100
1.80 GHz
2 GB memória
Gráfica ATI HD2400
128MB até 895 MB
Ecrã 15.4
Câmara de vídeo 1.3 megpixels


Obviamente, estas especificações são chinês para mim, mas estou certa de ter feito uma excelente aquisição.

588 dias


Todas as oportunidades são válidas para celebrar o nosso amor.
Sobretudo nos dias mais banais.

Hasta la victoria, siempre


Aproximam-se as festividades do partido da ideologia mais sanguinária de todo o século XX: o "Avante!". Um dos grandes motivos de celebração são os noventa anos sobre a revolução de Outubro na Rússia. Na entrevista de hoje ao jornal Público, o secretário-geral do partido, o camarada de Sousa, lamenta que a queda da URSS tenha abrido caminho ao neoliberalismo. Ó tempo volta para trás, que os gulags, as purgas e a miséria igualitária são mil vezes preferíveis à selva capitalista.

Tenho ouvido de vários lados que o "Avante!" é o maior envento cultural no nosso país. Eu acho que isso revela bastante sobre Portugal. Para além do asco que me mete a ideologia e a sua praxis, o que me faz mais confusão são os que tradicionalmente lá vão pela "buba", a bifana e o convívio. Esses, se tivessem dois dedos de testa, não punham os pés numa festa destas.

quinta-feira, agosto 30, 2007

Arautos dos valores da família

Aqui há dias, o deputado democrata-cristão italiano Cosimo Mele, "arauto dos valores da família", foi apanhado com duas prostitutas, cocaína e álcool num hotel de Roma (o senhor disse depois que tinha sido uma cilada).
Há semanas, Bob Allen, membro republicano da Casa dos Representantes dos EUA e figura de proa na cruzada anti-gay (=anti-deboche), foi preso por tentar aliciar um polícia (macho) à paisana para sexo numa casa de banho pública.
E agora, o senador republicano Larry Craig, outro agitador da bandeira moral tradicionalista, também foi apanhado por um polícia à porta de uma casa de banho com condutas menos decentes!

PORQUE É QUE OS ARAUTOS DOS VALORES DA FAMÍLIA SÃO SEMPRE OS PIORES?

quarta-feira, agosto 22, 2007

Glendalough, Co. Wicklow


Entre os dois lagos do vale de Glendalough (glen-da-lóc), nas montanhas de Wicklow, uma pessoa chega a acreditar que Deus existe para além de qualquer dúvida.
Não longe daqui foi filmado o Braveheart, por a vegetação ser semelhante à escocesa e porque o governo irlandês oferece generosos benefícios fiscais à produção cinematográfica.









O cemitério rodeando a torre redonda e a igreja conhecida como St. Kevin's Kitchen. A lenda diz que os casais que dão três voltas à torre ficam juntos para sempre.Na cruz celta, especificamente irlandesa, o círculo representa o sol, que era um símbolo máximo dos pagãos. Significa, por isso, a conversão da ilha ao cristianismo, após a vinda de St. Patrick. Na era contemporânea, foi infelizmente apropriada pela escumalha da supremacia branca.





Devo registar que o nosso guia, de seu nome Damien, também condutor do autocarro e animador de serviço, parecia o típico white trash hooligan inglês que vem beber cerveja para Albufeira no Verão, com anéis e fios de ouro e uma tatuagem enorme do Celtic de Glasgow no braço. Em suma, parecia do mais bronco possível. Afinal, foi o melhor dos story-tellers.

terça-feira, agosto 21, 2007

Ar puro

Eis Temple Bar. É o centro da vida nocturna de Dublin, onde se situam alguns dos pubs mais conhecidos e procurados, e onde existe um centro musical. É o Bairro Alto lá do sítio, mas mais pequeno, claro. Diferenças? As ruas estão limpas e não cheira a xixi ao sábado de manhã.
Aqui, um irlandês pôs-se à frente na fotografia e disse-me "you gotta know all irish people are crazy!"

Tão simples

Na Irlanda, não se fuma nos locais públicos fechados. Isto significa que neste país é possível ir a um pub ou a um restaurante e não vir para casa com a roupa impregnada de cheiro a tabaco (Deus meu, afinal é possível algures!). Quem quer fumar, levanta o rabo da cadeira e vai lá fora. Os pubs continuam cheios. Parece tão simples que se torna incompreensível o porquê de tanta polémica.

segunda-feira, agosto 20, 2007

O futuro

Um dos grandes temas da vida nacional irlandesa, debatido nos jornais durante toda a semana, foi o resultado dos alunos que obtiveram o Leaving Certificate, o curso final dos estudantes do ensino secundário. Traçaram-se os perfis dos melhores alunos ("the class of 2007"), compararam-se as notas com as de anos passados, falou-se da diferença entre rapazes e raparigas (estas estão a ultrapassá-los). Reflectiu-se seriamente sobre o facto de os resultados nas áreas matemáticas terem piorado. O patronato e as empresas deram a sua opinião: uma população altamente qualificada e virada para a inovação tecnológica é fundamental para a competitividade da economia e o desenvolvimento contínuo do país. Por algum motivo a República da Irlanda é o país que mais cresce na Europa.

Dublin - pequena, amorosa e vibrante

Grafton Street


Ao contrário de Lisboa, diminuída e envelhecida na sua população, Dublin é uma cidade que transborda juventude e encontra-se em expansão. É pequena e não tem sequer metropolitano, o que permitiu que pudéssemos andar muito a pé. As artérias principais, O'Connell Street e Grafton Street (onde há actuações de rua quando o tempo assim o permite) estão sempre cheias de gente frenética, bem como a parte sul do rio Liffey, que divide a cidade e que é o seu verdadeiro centro. Adoro a mistura harmoniosa de cores dos edifícios e das lojas. As portas das casas também têm cada uma a sua cor, conta-se que é assim porque antigamente os homens entravam na casa errada e deitavam-se ao lado de uma mulher que não a sua, quando vinham do pub já bem regados. Os pubs e os cafés estão sempre cheios - SEMPRE. Quem vai a Dublin e se pergunta como é possível existirem tantos pubs (em cada rua existem pelo menos dois) sem que vão à falência, percebe logo: os irlandeses vivem literalmente para os pubs e para o craic (sinónimo para "passar um bom tempo"). E muitos começam a beber às 11 da manhã. Fiquei no entanto com a ideia que eles são malucos mas pacíficos. Houve até alguém que gozou comigo o tempo todo por eu ter acreditar piamente que Dublin é uma cidade sem crime.

Suffolk Street
Houve uma rua que ficou imeditamente baptizada como "a minha favorita" em Dublin: Suffolk Street, onde está a St. Andrew's Church. Achei maravilhosa a forma como as inúmeras igrejas e catedrais da cidade, sobretudo as medievais (Patrick's, Christ's Church, St. Andrew's) parecem ter sido feitas exactamente à medida da cidade dos dias de hoje. Foi aqui que apanhámos o nosso autocarro da viagem às montanhas de Wicklow. E aqui percebi também um pouco o porquê do milagre económico irlandês - eles aproveitam como ninguém o turismo. Só nesse dia, cinco companhias privadas diferentes apanhavam ali turistas para o mesmo destino.



Trinity College Dublin - biblioteca antiga

Ao entrar em Trinity pensei: porque é que eu não pude tirar o meu curso numa relíquia histórica destas? Não, a minha faculdade antiga, na Avenida de Berna em Lisboa, é um antigo quartel com prédios feios e onde se passeiam galos naquilo a que chamam esplanada exterior. E outras coisas inenarráveis.
Em Trinity, encontra-se ainda guardado o Book of Kells, manuscripto magistralmente ilustrado por monges celtas.

verde e laranja



Sempre adorei a bandeira da República da Irlanda. Significa a paz (o branco) entre os católicos (o verde) e os protestantes (o laranja). Mas parece-me que há mais por detrás do simbolismo destas cores. Se vir uma pessoa ruiva de olhos verdes, é muito provável que esta seja descendente de irlandeses. Na ilha, há cerca de cinco milhões. Nos Estados Unidos, são 40 milhões.

Erin go bragh

Na Irlanda, vive um povo extremamente orgulhoso da sua história, da sua gente, das suas tradições, que cuida bem das suas cidades, dos seus campos, dos seus jardins, dos seus escritores e músicos, dos nomes das suas famílias (os pubs e lojas são maioritariamente nomeados assim: Clancy’s, Murphy’s, Flanagan's, Casey’s, Carroll’s, Gallagher’s), que tem um gosto genuíno pela vida e por fazer os outros sentirem-se em casa. Os seus símbolos, o trevo, a harpa, a cruz celta, a Guinness, são representados até à exaustão em cada cidade, rua e casa. A ilha verde, com as suas heranças sobrepostas e riquezas históricas e míticas - a celta medieval, a dos castelos senhoriais, a católica, a das lendas e dos duendes – é um regalo para o olho. Os irlandeses cuidam do que é seu, isso é bonito e é um exemplo para todos. E só é pena que a ilha não tenha sido abençoada com um clima mais convidativo - choveu durante toda a nossa estadia, em pleno mês de Agosto. Este verão foi baptizado como "miserable", mas os irlandeses parecem estar habituados a isto, tanto que um ponta de sol a espreitar entre as nuvens dava azo a expressões como "it's a lovely day".

E há coisas inestimáveis, as quais só nos damos conta quando saímos de Portugal: é tão bom poder andar em ruas onde não exista cocó de cão no chão.


Fotos: Kilkenny, Co. Kilkenny, a "mais bonita cidade interior da Irlanda" - so we were told. A cidade tem um belíssimo castelo, propriedade antiga dos Butler, que dominaram a cidade durante 500 anos. A rodear o castelo, existem jardins extensos de perder de vista. Coisas destas existem por toda a Irlanda.











domingo, agosto 12, 2007

terça-feira, julho 31, 2007

if men could menstruate














What would happen if suddenly, magically, men could menstruate and women could not?

Clearly, menstruation would become an enviable, boast-worthy, masculine event: men would brag about how long and how much.

Young boys would talk about it as the envied beginning of manhood. Gifts, religious ceremonies, family dinners, and stag parties would mark the day. To prevent monthly work loss among the powerful, Congress would fund a National Institute of Dysmenorrhea. Doctors would research little about heart attacks, from which men were hormonally protected, but everything about cramps. Sanitary supplies would be federally funded and free.

Of course, some men would still pay for the prestige of such commercial brands as Paul Newman Tampons, Muhammad All's Rope-a-Dope Pads, John Wayne Maxi Pads, and Joe Namath Jock Shields—"For Those Light Bachelor Days." Statistical surveys would show that men did better in sports and won more Olympic medals during their periods.

Generals, right-wing politicians, and religious fundamentalists would cite menstruation ("men-struation") as proof that only men could serve God and country in combat ("You have to give blood to take blood"), occupy high political office ("Can women be properly fierce without a monthly cycle governed by the planet Mars?"), be priests, ministers, God Himself ("He gave this blood for our sins"), or rabbis ("Without a monthly purge of impurities, women are unclean").

Male liberals or radicals, however, would insist that women are equal, just different; and that any woman could join their ranks if only she were willing to recognize the primacy of menstrual rights ("Everything else is a single issue") or self-inflict a major wound every month ("You must give blood for the revolution").

Street guys would invent slang ("He's a three-pad man") and "give fives" on the corner with some exchange like, "Man, you lookin' good!", "Yeah, man, I'm on the rag!"TV shows would treat the subject openly. (Happy Days: Richie and Potsie try to convince Fonzie that he is still "The Fonz", though he has missed two periods in a row. Hill Street Blues: The whole precinct hits the same cycle.) So would newspapers. (SUMMER SHARK SCARE THREATENS MENSTRUATING MEN. JUDGE CITES MONTHLIES IN PARDONING RAPIST.)

Men would convince women that sex was more pleasurable at "that time of the month." Lesbians would be said to fear blood and therefore life itself, though all they needed was a good menstruating man. Medical schools would limit women's entry ("they might faint at the sight of blood"). Of course, intellectuals would offer the most moral and logical arguments. Without that biological gift for measuring the cycles of the moon and planets, how could a woman master any discipline that demanded a sense of time, space, mathematics—or the ability to measure anything at all?

In philosophy and religion, how could women compensate for being disconnected from the rhythm of the universe? Or for their lack of symbolic death and resurrection every month?Menopause would be celebrated as a positive event, the symbol that men had accumulated enough years of cyclical wisdom to need no more. Liberal males in every field would try to be kind. The fact that "these people" have no gift for measuring life, the liberals would explain, should be punishment enough.

Gloria Steinem, "If Men Could Menstruate"

domingo, julho 29, 2007

É bom



Estou a tentar acabar um trabalho de mestrado in extremis e da janela vem um vento abafado e seco. Adoro noites de verão. Devia ser verão o ano todo, 24 / 7, sem intervalo. Mas de preferência sem trabalhos.

quinta-feira, julho 26, 2007

Morri-me

Aquela minha vida morreu. Toda a existência que eu conhecia alterou-se bruscamente, a ponto de eu me interrogar se serei hoje ainda a mesma pessoa que fui. Joana = Joana? Aposto no não.

E sem, dar conta disso, esta corrente alucinante de perdas e ganhos, e tristezas e alegrias, deixou-me esgotada. E eu tenho uma vontade extrema de chorar, se bem que não sei se tenho forças. Falta-me a energia de uma maneira que nunca conheci. Tenho 23 anos. Talvez seja apenas a falta de sono, que as exigências de uma vida de trabalho numa cidade diferente e a vivência de um amor maior que a vida não são pêra doce.

Perdi tanto nestes últimos tempos. Já convivi tão perto com a morte que esta parece ter passado a fazer parte de mim. O cheiro, o aspecto, o espectro, a iminência, a omnipresença da morte. Ela tem estado tão presente que é como se acordasse ao meu lado, caminhasse junto a mim e se sentasse à minha frente. Parece-me agora que tenho feito um esforço que ultrapassa a capacidade humana. Mas não me apercebi disso.

Perder um pai? Ao início, apesar da dor lancinante incompreensível, nós pensamos: "a vida continua para a frente e tudo o que eu tenho a fazer é honrar a sua memória". Mas depois... há algo que fica permanentemente danificado aqui dentro, algo que continua a moer e a moer e a moer - e, uma vez mais, a gente não se dá conta disso pois está loucamente inebriada com o Amor.


Às tantas, porém, o corpo e a mente ressentem-se. Parece não restar ponta de frémito. Apenas um vazio de perder de vista.

quarta-feira, julho 25, 2007

Já para casa

Há uma deputada do PSD na Madeira, de seu nome Rafaela Fernandes, que, a propósito do não cumprimento da nova lei do aborto na ilha, afirma que "a função das mulheres é a procriação". Eu acho que esta tipa devia ir já para casa parir e sob alta vigilância, não vá ela ter relações sexuais com fins meramente recreativos.

terça-feira, julho 17, 2007

Conclusão do dia

Estou a precisar de férias.

segunda-feira, julho 16, 2007

Um grande bem-haja

Graças a Deus, temos o Dr. Eduardo Sá para nos ajudar a educar as nossas crianças, quando estes pequenos reguilas nos trocam as voltas. O psicólogo clínico, psicanalista e especialista em comportamento infantil e juvenil (é muita fruta!), fala baixinho, tem gestos suaves e compreende que cada criança é um tesouro. Está cá para orientar os pais, atrapalhados perante a complexidade dos pequenos.

Lição de hoje: todas as crianças mentem e isso é perfeitamente normal, o problema é quando dizem mentiras em excesso ou quando nunca dizem mentiras de todo. E, muitas vezes, o que os assusta são os "olhos muito esbugalhados" dos pais quando ralham.

terça-feira, julho 10, 2007

Sexiest man alive


É o melhor tenista da história, Roger Federer.

segunda-feira, julho 09, 2007

Coisas que explicam muita coisa




Na livraria da Fnac do Chiado, a secção de ciência política dá direito a prateleira própria a dois autores apenas: Noam Chomsky e Edward Said.

Na sociologia, o Boaventura de Sousa Santos também é rei e senhor.

domingo, julho 08, 2007

Assim é que era bonito

A minha lista:

Taj Mahal
Estátua da Liberdade (assobiada pelo povão idiota no estádio da Luz)
Grande Muralha da China
Machu Picchu
Coliseu de Roma
Petra
Torre Eiffel

quarta-feira, julho 04, 2007

And the winner would be


O site das 7 novas maravilhas é o caos. Já tentei ir lá votar três vezes , mas tudo indica que não vou conseguir ficar na história (oh...). Mas se votasse, votava nesta grande coisa : a Grande Muralha da China. Só porque se vê do espaço.

segunda-feira, julho 02, 2007

Rititi rules











AMORES DIFERENTES, DIREITOS IGUAIS
(Crónica publicada no DNA em Julho de 2005)

Aprovada a legalização dos matrimónios homossexuais, alterado o Código Civil e exterminados com muita pena minha os conceitos «marido e mulher» do discurso legal, bem-vindos sejam ao Território Zapatero, o país mais moderno da Europa, o paraíso da tolerância e do respeito à diferença. O Presidente do Governo está feliz, gays e lésbicas abraçam-se e fazem planos de boda, com bolo de noiva e avós chorando à mistura, e eu abro uma garrafa de Möet Chandon para comemorar a banalização de relações e amores tão normais quanto o meu. Desmistifica-se com a legalidade o que deveria ser do foro estritamente privado – enquanto ninguém tem nada a ver com quem dorme o vizinho – e acaba-se de uma vez por todas com a estupidez de não se poder herdar, pagar impostos em conjunto ou ter direito a onze dias úteis de férias de casamento nas Maldivas com tudo incluído. E mais útil ainda: ser gay deixa de ser um lobby, uma razão de exclusão e a desculpa perfeita para fazer o ridículo nos bares chunga-chunga a dançar Rafaela Carrá. A partir do dia 30 de Junho, em Espanha só sente discriminado sexualmente quem tem a cabecinha mal arrumada e problemas de cama por resolver.
E pronto, aqui deveria acabar esta converseta sobre formas de viver. Uma vez ratificada pelo Rei, a alteração da instituição familiar já está nas ruas e cada um pode seguir com o seu rame-rame do costume, tentando ser um bom pai, não mentir à mulher e não conduzir com os copos. Todos, claro, excepto a Conferência Episcopal, o Foro Español de la Família e o Partido Popular, os Temíveis Anjos Vingadores e Guardiães da Família. Da tradicional, claro. Da deles. Uma manifestação multitudinária no dia 18 de Junho juntou os defensores da tradição e dos valores que «importam», pondo a família em maiúscula e as crianças na frente, com bandeiras de Espanha e carinha de pena.
Aos bispos é normal que lhes repugne a relação de dois paneleiros reconhecida pelas instituições do Estado, tendo em conta o Catecismo da Igreja Católica, a sua concepção da homossexualidade e os dois mil anos de existência. Esquecem-se que a lei não os condena a celebrar este tipo de matrimónios – civis e sem efeito perante a lei de Deus – e que Espanha é um estado laico, aconfessional e que já não é obrigatório ser baptizado. Esquecem-se que nem todos os católicos partilham esta visão rígida do amor ou que até existem gays que acreditam que Maria foi virgem e Cristo o Filho de Deus.
Já o Foro da Família, cuja página na Internet proclama o direito dos meninos a terem só um pai e uma mãe, não se insurge contra os gays nem a regularização da sua união sempre que não se lhe chame «matrimónio», porque «matrimónio» é coisa de homem “contra” mulher para fazer filhos. Mais nada. E por causa de uma palavra reúne adeptos, distribui panfletos e manifesta-se em massa? É esta a razão para pôr menores de idade a quarenta graus à sombra segurando cartazes, obrigando-os a usar máscaras em plena onda de calor sufocante às seis da tarde, acusando Zapatero de atacar a família, de impedir que um homem e uma mulher se casem? «La família SI importa». Uma palavra que põe a instituição em vias de extinção, porque não é concebível que dois Zé Antónios criem um bebé sem que este não acabe num hospício, numa clínica de desintoxicação ou na prisa por vender heroína à porta de colégios. O amor, que é a base de qualquer matrimónio, só é possível se heterossexual e vocacionado para a procriação.
E o PP? Que faz o único partido de direita com assento no parlamento nacional ao lado de cartazes como «No al desmadre, queremos padre y madre»? Proteger as criancinhas indefesas, coitadas. Mesmo que o líder Mariano Rajoy se tenha desmarcado à última da hora, o partido apoiou a manifestação, segurou bandeiras e bramou pela defesa da família com pai, mãe e avozinha que trate da Matilde e do Lourenço, gritando que os direitos dos não-gays estão a ser pisados, que é um retrocesso e que, além de imoral, esta lei é anticonstitucional. Não haverá militantes de direita que sejam panilas? Ser gay é só coisa de esquerdalhos anti-clericais papa-meninos? A opção sexual estará condicionada pela cor política? Pelos visto, nesta Espanha, sim.
Um dos líderes do Foro da Família, talvez com o cérebro a ferver pelo calor do verão madrileno, queixava-se da legalização do divórcio (sim, o divórcio, não estão a ler mal), que tão desprotegida deixa a família: «oxalá não existisse». Numa só frase ficaram desmascaradas as hipocrisias, as razões encapotadas, os menininhos a chorar e as vozes politicamente correctas: o que uniu Igreja, ONG’s e os líderes do segundo maior partido espanhol foi o terror à normalização de atitudes que, pela sua moral, são reprováveis e deveriam manter-se, se não ilegais, pelo menos na clandestinidade, como se não existissem. Negando o óbvio não se escandalizam as mentes puras. Olhos que não vêm, coração que não sente - e as fufas, os panascas, os infelizes, os mal amados, os infiéis, as maltratadas, as fartas do marido, o senhor de cinquenta anos que descobre a atracção sexual pelo trolha musculado das obras, esses, que se escondam, que não falem, que tudo se mantenha como estava. Não mudando, não questionando e evocando a liberdade. A deles, claro.
E agora, se me dão licença, vou lá abaixo dançar «I will survive» na Gay Parade. Porque é muito mais divertido celebrar com música a equiparação legal de outros modelos de família e de amor, a queixar-me porque o mundo não é o mesmo que há trinta anos, quando as mulheres nem podiam votar e os homossexuais eram presos. Este ano, a Festa do Orgulho Gay, já não reivindica direitos, mas comemora o crescimento democrático e a legalização do que sempre existiu.

quarta-feira, junho 27, 2007

Porque é que Sociologia é aquele curso da treta

Pequeno excerto da literatura que tenho que consumir para o exame da próxima sexta-feira:

"(...)Poderá argumentar-se que tal crítica, mais do que decorrer da argumentação teórica apresentada, subjaz a essa mesma argumentação e, por esta via, questionar-se a cientificidade de tal argumentação ou sustentar um relativismo epistemológico radical de onde se extrairia a impossibilidade de escolha entre modos de argumentação decorrentes. Por um lado, conclusões deste tipo, que ignoram o complexo processo de vaivém entre os domínios analítico e normativo (irredutível a uma sequência simples do tipo pressuposto -> teoria), serão contestados no início do capítulo 1, a propósito do recenseamento dos contributos de Jeffrey C. Alexander, no domínio da sociologia da sociologia, sobre a relação entre teoria e pressupostos: se a toda a construção sociológica subjazem pressupostos morais e políticos, nas disputas entre abordagens teóricas concorrentes é possível "ganhar conhecimento cumulativo sobre o mundo" desde que prevaleçam critérios de racionalidade na organização dos processos argumentativos"

Quanto mais incompreensível, melhor, que é para dar aquele ar de coisa séria e complexa.

domingo, junho 24, 2007

Temos medo de parecer racistas













Bom artigo da Inês Pedrosa na revista do Expresso desta semana. Diz o essencial sobre a coisa.

"Sempre que se tem notícia de mais um assassinato de uma jovem muçulmana, perpetrado pela família, em consequência do nefando "crime" de amar quem o pai não quer, ergue-se um coro de vozes paliativas dizendo que não é só no mundo islâmico que as mulheres morrem às mãos dos homens da sua família. Aconteceu agora, aquando da condenação dos assassinos de Banaz Mahmod, uma rapariga de 20 anos que vivia em Birmingham, Inglaterra e que acabou por ser morta e enterrada pelo pai e pelo tio, depois de se ter dirigido por diversas vezes à polícia contar as ameaças de morte do progenitor e pedir ajuda - sem sucesso.

É verdade que, num só ano, 39 mulheres portuguesas morreram às mãos de maridos e namorados - uma verdade bárbara que significa que os resquícios de uma cultura fundada no princípio de que "a cabeça da mulher é o homem" (São Paulo, Epístola aos Coríntios) demoram a extirpar.

Mas há uma diferença essencial: os "crimes de honra", na contemporânea civilização laica do Ocidente, não são praticados com a aprovação e a conivência da parentela dos assassinos. Fazem-se campanhas para alertar as mulheres de que não devem aceitar relações violentas, e que existem diversas entidades a que podem recorrer. Muitas vezes, na prática, esse apoio é ténue porque a nossa Justiça é infinitamente branda e lenta para com os agressores - não percebo porque é que as vítimas de violência são forçadas a esconder-se em casas secretas enquanto os verdugos ficam à solta, fazendo a sua vidinha, nem porque é tão difícil que as famílias de atacantes identificados como perigosos doentes mentais obtenham o internamento deles. Mas, pelo menos, há um alarme social. Números. Possibilidades de salvação. Nada disto existe no mundo islâmico - e, para vergonha do Ocidente, nem sequer no mundo islâmico que vive dentro das fronteiras da Declaração Universal dos Direitos dos Homens. Porquê? Porque temos medo de parecer racistas. Que meninas de cinco anos sejam sujeitas a mutilação genital sobre mesas portuguesas, francesas, alemãs ou inglesas, é menos grave do que parecermos intolerantes. Que jovens muçulmanas vivam nas cidades da Europa sujeitas à opressão da Sharia, incomoda-nos menos do que ter uma posição frontal contra esta ignomínia. Dizemos que não queremos excitar os ânimos. Que chegaremos lá através do diálogo. Theo Van Gogh, já baleado, tentou dialogar: "Podemos falar?" Responderam-lhe mais balas. Temos medo - porque, de facto, há razões para ter medo. Salmon Rushdie que o diga. Ayaan Hirsi Ali que o diga - ambos vivem com condenações à morte sobre as suas cabeças. Mas não vergam essas cabeças, porque sabem que, quanto mais se vergarem, maior será a violência dos "fiéis" sobre os "infiéis".


A autobiografia de Ayaan Hirsi Ali, recentemente publicada nos Estados Unidos com o título "Infiel" ("Infidel"; edição Free Press, 2007), é, não só um murro no estômago (e em todas as outras partes do corpo, porque não há nenhuma que, a bem da pureza do Islão, não lhe tenham dilacerado) e uma história de infinita valentia, como uma análise inteligente e lúcida dos efeitos da complacência ocidental face à cruzada islâmica.


Nascida na Somália, Hirsi Ali viveu a infância e a juventude em vários países da África muçulmana e na Arábia Saudita, fugiu em 1992 para a Holanda, para escapar a um casamento forçado, licenciou-se em Ciência Política e lutou pelos direitos das imigrantes muçulmanas como deputada no Parlamento holandês. Depois do assassinato do realizador Theo Van Gogh, por um radical islâmico, em consequência do filme Submission, com argumento dela, o seu direito à nacionalidade holandesa foi posto em causa pela responsável política pela Imigração (até então sua amiga) e Ali acabou por se radicar nos EUA. Uma das suas mais incómodas propostas parlamentares foi a da aboliçao do artigo da Constitutição holandesa que protegia a criação de escolas religiosas, alegando que os fundos governamentais deveriam ser utilizados em escolas ideologicamente neutras, de modo a encorajar as crianças a fazer perguntas e a respeitar o pluralismo. Tentou explicar que era um disparate pensar-se que os muçulmanos se integrariam melhor se os holandeses aceitassem toda a espécie de auto-segregação muçulmana - respondiam-lhe, na melhor das hipóteses, que ainda não era o tempo certo, ou, na pior, que estava toldada pela sua experiência.
O paternalismo tem sempre duas faces; ou porque experimentaram na pele ou porque falam de cor, as mulheres nunca são de fiar. Questão de hormonas, emoções. Então Hirsi Ali começou a lutar pelos factos: pediu as estatísticas dos "crimes de honra" na Holanda. O Ministério da Justiça respondeu-lhe que não discriminava os crimes pelas suas motivações, para não "estigmatizar grupos na sociedade". Conseguiu lançar uma experiência-piloto em 2 dos 25 departamentos policiais da Holanda. Descobriu-se que, só nestas duas áreas, entre Outubro de 2004 e Maio de 2005, 11 raparigas muçulmanas tinham sido mortas pelas famílias.


Quantas mais terão de morrer até que os relativistas culturais e morais acordem?"


Inês Pedrosa, Única 23 Junho 2007

sexta-feira, junho 22, 2007

Considerações sobre a desgraça árabe

" Como é que se passou ao marasmo actual, talvez mais intelectual e ideológico do que material, mas que tem por efeito fazer crer aos árabes que não têm outro futuro para além do que lhes destina um milenarimo mórbido?
Como é que se menospreza uma cultura viva, para comungar no culto da desgraça e da morte?
(...)
Será necessário descrever a desgraça árabe? Alguns números bastariam para dizer a gravidade do impasse em que as sociedades árabes se encontram bloqueadas: taxas de analfabetismo, disparidade entre os mais ricos, imensamente ricos, e os mais pobres, sobrepovoamento das cidades, desertificação das províncias... Mas, dir-me-ão, isso é o lote comum de boa parte daquilo a que ainda há pouco se chamava o terceiro mundo. E, mesmo assim, há muito mais pobreza nas ruas de Calcutá e mais disparidades no Rio de Janeiro. Sem dúvida. Só que a desgraça, neste caso, não é um obstáculo ao desenvolvimento, nem é uma questão de classes, nem mesmo de carências educativas.
(...) Comparações mais modestas seriam suficientemente perturbadoras. Com a Ásia, onde o crescimento económico multiplicou os "Tigres" e "Dragões". Com a América Latina, onde a transição democrática parece ter atingido o ponto de não-retorno. E mesmo coma África sub-sariana, onde apesar de tudo coesxistem guerras civis traumáticas e experiências democráticas. Essas regiões do planeta, que ainda há pouco tempo pareciam partilhar com os árabes as distorções do desenvolvimento e o arbitrário político, estão longe de ter atingido a paridade com Norte industrial e democrático. Mas, pelo menos, encontram-se nelas compensações que constituem motivos para não desesperar."


Samir Kassir
, asassinado em 2005, em Beirute.
Considerações sobre a desgraça árabe, 2004 (Edições Cotovia)

segunda-feira, junho 18, 2007

Amar é imaginar a eternidade


A conquista mais importante da minha vida será contemplar o pôr-do-sol, já senhora de vestuta idade, sentada num alpendre, contigo ao meu lado e com a tua mão pousada na minha. Olhar atrás, recordar o momento em que projectei o nosso sonho e pensar "quantos anos passaram!... ". Saborear de forma tranquila e merecida o nosso triunfo sobre o mundo incréu.

sábado, junho 16, 2007

Rbfaz ku fyrhen ççodahh nfdan makdgtej



Ter datas para entregar trabalhos...

(atenção: esta NÃO É a minha secretária. Não sou assim tão desmazelada)

sexta-feira, junho 15, 2007

Agosto



Vou à Irlanda.

Mais um sonho que se torna realidade.

Mais seis horas de tortura no ar.

quarta-feira, junho 13, 2007

Uma história sobre a amizade

Tenho vindo a constatar um padrão de comportamento na minha pessoa: quando as coisas estão na moda, ganho-lhes uma aversão tremenda. Não sei se isso indica uma predisposição anti-social da minha parte, mas as coisas que excitam toda a gente num dado momento tendem a aborrecer-me. Foi isso que aconteceu com o Senhor do Anéis, à mistura com o meu tradicional desdém (mas estou a mudar) por tudo o que tenha a ver com magia e fantasia.
Só que no último Natal, vi na televisão a terceira parte do Senhor dos Anéis e chorei baba e ranho, maravilhada de êxtase. Bastou para me fazer comprar a trilogia, que, por circunstâncias várias, só me decidi a ver agora. Estou a ver aos poucos, mas continuo abismada a cada cena, a cada dizer magnificamente proferido, a cada nome, a cada melodia, a cada vestimenta, a cada povoação, a cada batalha. Vou no "As Duas Torres". Começo a ficar deprimida só de saber que tudo vai acabar já daqui a filme e meio.

terça-feira, junho 12, 2007

O casamento

Classe. Elegância. Estilo. Sofisticação. Bom gosto. Pedigree.

Este homem tem ar de quem come criancinhas ao pequeno-almoço


Vergonha! E ninguém faz nada!




Depois do saneamento de elementos discordantes na DREN, a purga prossegue agora no Plano da Matemática, com o "convite" de saída da Associação de Professores de Matemática, por dali terem vindo críticas "públicas" (o pecado é dizê-las em voz alta) às declarações da Ministra da Educação. A escandaleira continua e o país continua carneiro desta estranha forma de vida.

sexta-feira, junho 01, 2007

Francamente

A incompetência e lentidão dos serviços públicos atinge proporções monstruosas.
Cometi o erro de enviar um email para a Direcção-Geral de Cobrança de Impostos para me esclarecerem acerca de uma questão tão simples quanto a devolução de IVA após ter passado um Acto Isolado. Não minto: está disponibilizado no site do Ministério das Finanças um endereço de email, dscobranca@dgci.min-financas.pt. Aliás, estão lá muitos endereços de email.

Acontece que enviei o email no dia 26 de Abril e só me responderam hoje, ou seja, MAIS DE UM MÊS DEPOIS. Entretanto o assunto já foi resolvido e encontra-se morto e enterrado há muito, pois se eu dependesse daquela resposta estava bem tramada.

Mas apetece perguntar: para que servem as contas de email dos ministérios? Porque se dão sequer ao trabalho de responder se o fazem já fora do prazo? Saberão alguns funcionários públicos sequer trabalhar com um computador?

A forma como se trabalha nos ministérios (e de todas as vezes que tive que me deslocar a tais sítios já sabia que me esperava uma longa aventura) é provavelmente o caso mais extremo do mau serviço prestado pela função pública. No entanto, há outros casos sintomáticos, onde talvez menos se esperasse. Cada vez que entro na Loja do Cidadão, sei que há um problema com o sistema informático, pois é anunciado no altifalante. Sempre. É sagrado.

Isto é que é um verdadeiro "choque tecnológico".

Acho que me vou inscrever no 10º ano






Sócrates promete computadores portáteis quase de borla

quarta-feira, maio 30, 2007

A propósito dos cartazes "O Zé faz falta"

Quem é a Cucha Carvalheiro?
Não há coisa mais aborrecida do que os egos gigantes de alguns meus colegas de mestrado. A turma encontra-se dividida em jovens muito jovens (na sua maioria raparigas), por um lado, e alguns jornalistas e profissionais bem antigos e conceituados da praça, por outro. Entre estes últimos, é visível a forma como se procuram evidenciar perante o público feminino e tenro, digladiando-se uns aos outros, despejando a sua quantidade inacreditável de conhecimento acumulado sem ninguém lhes ter perguntado nada sobre o assunto.

São tão patéticos estes homens de meia-idade.

sábado, maio 26, 2007

My hero


Caco Antibes
Eu tenho horror a pobre!

domingo, maio 20, 2007

Vamos lá rapazes
















Adenda: 22 campeonatos nacionais, 13 taças de Portugal, 15 supertaças.
2 vezes campeão da Europa, 2 vezes campeão do mundo, 1 Taça UEFA, 1 Supertaça Europeia.

O FCP nem parece um produto de Portugal.

sexta-feira, maio 18, 2007

E, para acabar, o toque final...


... eu e as religiões. Voltando ao Moral Politics, descubro que com quem eu tenho mais a ver é com protestantes e judeus.
Faz sentido.



quinta-feira, maio 17, 2007

The Advocates





Segundo o The Advocates, sou uma libertária.

Isto reforça o que eu disse no post anterior.
A minha filosofia de vida é : não me chateiem!









LIBERTARIANS support maximum liberty in both personal and
economic matters. They advocate a much smaller government; one
that is limited to protecting individuals from coercion and violence.
Libertarians tend to embrace individual responsibility, oppose
government bureaucracy and taxes, promote private charity, tolerate
diverse lifestyles, support the free market, and defend civil liberties.

Politopia
















Teste da Politopia.

Habito terras do Noroeste.

NW - You would feel most at home in the Northwest region. You advocate a large degree of economic and personal freedom. Your neighbors include folks like Ayn Rand, Jesse Ventura, Milton Friedman, and Drew Carey, and may refer to themselves as "classical liberals," "libertarians," "market liberals," "old whigs," "objectivists," "propertarians," "agorists," or "anarcho-capitalist."

A minha interpretação disto tudo: gosto muito pouco que metam o nariz na minha vida.

Political Brew











Novo teste.

Your score is on a scale of 0 to 100, with 0 being fully liberal and 100 being fully conservative:

On Non-Fiscal Issues, you rank as a Moderate Liberal (35).
On Fiscal Issues, you rank as a Moderate Conservative (78).


Finalmente dão-me como liberal em questões "não-fiscais". Eu já estava a ficar algo inquieta.

sexta-feira, maio 11, 2007

Dia 11 de Maio

* MOMENTO PIROSO *


Uma flor para o meu amor

quinta-feira, maio 10, 2007

USA Weekend 1994

Vêm aí mais coisas giras! Este teste baseia-se na distinção clássica americana entre "liberal" e "conservative" (o conceito "liberal" na Europa está conotado com posições de direita). A escala "liberal -> conservative" vai de 0 a 40.

Eu tive 25, o que me põe do lado Republicano uma vez mais.
Agora a sério. Eu há uns anos não teria gostado nada desta brincadeira.

Aqui não há gráficos, mas há presidentes e figuras americanas.
O meu pelos vistos é o George Bush (pai)!

JesseJackson - 0 - 100% LIBERAL
TedKennedy - 5
HillaryClinton - 10
BillClinton - 15
ColinPowell - 20
GeorgeBush - 25
JackKemp - 30
BobDole - 35
RonaldReagan - 40 - 100% CONSERVATIVE

Moral Politics


A paragem obrigatória seguinte era o Moral Politics. Teste que se debruça mais sobre questões de costumes e fortemente identificado com a concepção política americana.

Apesar da minhas visões imorais acerca do casamento entre homossexuais e legalização do aborto, o Moral Politics classifica-me de conservadora e provável votante do Partido Republicano:
Your scored 1 on the Moral Order axis and -2 on the Moral Rules axis.
Mas há coisas que desiludem. O meu Presidente é o... Gerald Ford???! Provavelmente o mais irrelevante de todos os Presidentes da história americana!
The following items best match your score:
· System:
Conservatism
· Variation:
Moderate Conservatism
· Ideologies:
Capital Republicanism
· US Parties:
Republican Party, Democratic Party
· Presidents:
Gerald Ford (93.75%) 2004 Election Candidates: John Kerry (82.32%), George W. Bush (77.90%), Ralph Nader (66.34%)
E há mais. Estou praticamente só no mundo.
Apenas 0, 7 % dos que fizeram o teste tiveram o mesmo resultado que eu!
Statistics
Of the 312006 people who took the test:
· 0.7% had the same score as you.
· 55.4% were above you on the chart.
· 30.1% were below you on the chart.
· 23% were to your right on the chart. 71.1% were to your left on the chart.
As coisas que uma pessoa descobre em quizzes cibernéticos.





Political Compass

Logo a seguir fui a outro teste muito popular na Internet: o Political Compass.



Os resultados são consentâneos com o teste anterior. Ei-los.

Pensava eu que estaria mais para baixo no eixo "authoritarian - libertarian", mas afinal estou próxima da linha divisória.


Agora vem a parte querida.

Quem é a minha alma gémea ao nível dos grandes compositores clássicos?

Tchaikovsky, meus caros. Estou entre Tchaikovsky e Chopin. A nível de gostos, antes o primeiro que o segundo.
Wagner certamente já estava à espera deste resultado.







quarta-feira, maio 09, 2007

Ida ao consultório político

Parece que agora anda tudo doido a fazer o teste político da European Political Ideologies. Sempre tive em muito baixa conta os quizzes do género, sobretudo os de questões tais como "serei honesta?", "terei qualidades de liderança?", "seremos compatíveis no amor?", mesmo nos meus tempos de baixa puberdade em que lia a revista Ragazza.
Mas os testes de orientação política são divertidos, sobretudo quando apresentam gráficos e nos permitem a comparação com celebridades, figuras históricas e religiões. Infelizmente esse não é o caso da European Political Ideologies, mas este é um começo interessante. A partir daqui, fui à cata de todos os questionários de ideologia que encontrei na net, para comparar os resultados. Ele há coisas hilariantes.

Quando fazemos o teste da European Political Ideologies, há 12 resultados possíveis já predefinidos e é-nos pedida uma previsão. Eu disse sem grande convicção que o meu resultado seria "social liberal".

Os resultados do meu teste são um poucochito dúbios no topo, mas genericamente fiéis na composição geral. Eis o meu ranking:

# 1 - You are an anarcho-capitalist. Anarcho-capitalists take the Jeffersonian belief that "that government is best which governs least", and extend it - "that government is best which governs not at all". The theory of anarcho-capitalism is that the market can replace the state as a regulator of individual behaviour (resulting in private courts, private policing etc.).

# 2 - You are a market liberal. You adhere to the traditional liberal belief in freedom, and take this to mean negative rather than positive freedom - i.e. a slimmed-down state is the best guarantor of freedom. You will therefore support a laissez-faire economic policy, and you will be reasonably tolerant on the social front - though less emphatically so than social liberals.

# 3 - You are a libertarian conservative. You hold that the free market is the best way of organising economic activity, but you combine this with adherence to more traditional social values of authority and duty.

# 4 - You are a social liberal. Like all liberals, you believe in individual freedom as a central objective - but you believe that lack of economic opportunity, education, healthcare etc. can be just as damaging to liberty as can an oppressive state. As a result, social liberals are generally the most outspoken defenders of human rights and civil liberties, and combine this with support for a mixed economy, with an enabling state providing public services to ensure that people's social rights as well as their civil liberties are upheld.

# 5 - You are a Christian democrat - or, in the UK, a "One Nation conservative"; in other words, although you share the usual conservative belief in stability and duty, you believe that such duties include a responsibility on the part of the better-off to help those who are less fortunate. You will be socially conservative, but in favour of a mixed economy where the state does have a role in providing public services. Christian democracy arose after World War II, succeeding more doctrinaire Catholic parties dating from the 1870s.

# 6 - You adhere to the Third Way. The Third Way is a fairly nebulous concept, but it rests on the idea of combining economic efficiency - i.e. a market economy with some intervention - with social responsibility. The focus is emphatically on the community as a whole, and not necessarily equality per se. Adherents of the Third Way range from moderate to conservative in their social views, and have recently been willing to take a "tough" line on a range of social issues.

# 7 - You are a social democrat. Like other socialists, you believe in a more economically equal society - but you have jettisoned any belief in the idea of the planned economy. You believe in a mixed economy, where the state provides certain key services and where the productivity of the market is harnessed for the good of society as a whole. Many social democrats are hard to distinguish from social liberals, and they share a tolerant social outlook.

# 8 - You are an ecologist or green. You believe that the single greatest challenge of our time is the threat to our natural environment, and you feel that radical action must be taken to protect it - whether in the enlightened self-interest of humanity (in the tradition of 'shallow ecologism') or, more radically, from the perspective of the ecosystem as a whole, without treating humans as the central species (deep ecologism).

# 9 - You are an anarcho-communist, aiming for a society without the state, based on small, decentralised groups living communally.

# 10 - You are a fascist. You combine a strong belief in the nation with authoritarian social values, and a willingness to impose your views upon others. You strongly oppose immigration, and are willing to take radical action to combat it.

# 11 - You are a classical socialist, believing in equality of outcome as a principle. This might mean greater equality (e.g. Old Labour), or as close to absolute equality as possible. However, you will believe in an extensive public sector, covering not just public services (transport, healthcare etc.) but probably also the 'commanding heights' of industry (e.g. iron and steel). Your views on personal morality will be reasonably tolerant, in general, but there is considerable variation within this political group.

# 12 - You are a communist. You believe, at least in theory, in absolute equality of income - and you oppose the whole capitalist system per se. You want to abolish the market economy and replace it with one in which the workers (usually meaning the state) control the building blocks of the economy. Your views on personal morality will vary; traditional communists tended to be more authoritarian, while modern "eurocommunists" tend to take a liberal line.

Macacos me mordam.
"Anarco-capitalista"? Não, pá!
A minha previsão de "social liberal" só aparece em quarto. Coisa curiosa é que antes de ser comunista (o último da lista), eu seria fascista. E blairista a meio da tabela.
24 anos, velha carcaça.