sexta-feira, fevereiro 16, 2007
segunda-feira, fevereiro 12, 2007
Sismo de 6 na escala de Richter
Foi a primeira vez que senti a terra a tremer debaixo dos pés.
A cadeira, o computador, a secretária, abanou tudo.
A cadeira, o computador, a secretária, abanou tudo.
E, por fim, a idiotice veio ao de cima
Votei Sim porque entendo que o aborto é um mal que tem que ser, primeiro que tudo, conhecido e controlado, de forma a poder ser reduzido. Podemos achar que a lei ainda actual já prevê os casos excepcionais em que o aborto deve ser feito (continuo a achar incongruente a posição de quem concorda com esta lei, que prevê certo tipo de aborto, e brada pelo "direito inviolável à vida"); no entanto a presente realidade, de milhares de abortos por ano feitos não sabemos bem como (é a realidade da clandestinidade, do diz que fez, do "conheço uma pessoa que...") ultrapassa de forma gritante as "excepções" consideradas. Não vislumbro como é que votar Não seja a forma mais eficaz de atacar o problema. Estar à espera que a situação seja resolvida somente pelo planeamento familiar e pela educação sexual, sinceramente parece-me manifestamente insuficiente. Até porque há daquelas coisas engraçadas: quanto à educação sexual, tanto os do Sim como os do Não afirmaram a sua urgência, mas basta ver as reacções que se erguem cada vez que se fala na possibilidade de haver a dita cuja nas escolas. A hipocrisia não está só, como dizem, em votar Não e ir a Badajoz em caso de "complicação"...
Dito isto, não escondo a minha apreensão pelo que ainda vem por aí.
Que lei vai sair do resultado do referendo e quando, como vai ser a integração no SNS (que é o mesmo que dizer em clínicas privadas), que tipo de combate e perseguição vai haver às redes clandestinas, e os tão propalados planeamentos familiares e educações sexuais. A realidade não muda com uma simples alteração de lei, mas acredito que pode ser um impulso positivo para começar a trabalhar.
Apesar de ter votado Sim (desta vez, sem certezas), estive muito atenta ao argumentário do Não nesta campanha. Acho que não há muito que me distancie de uma certa forma de pensar de muitos defensores do Não, existe sobretudo um entendimento diferente quanto à forma prática de tentar tentar resolver o problema.
Li com maior prazer o Blogue do Não do que o Blogue do Sim.
Acho, por isso, lastimável que a verdadeira natureza de alguns "nãozistas" venha agora ao de cima. A Mafalda e o André Azevedo Alves devem com certeza, como "defensores da vida" que são, regozijar-se com a cultura da "vida" das 300 mil e tal "mortes" já praticadas sob a presente lei.
Dito isto, não escondo a minha apreensão pelo que ainda vem por aí.
Que lei vai sair do resultado do referendo e quando, como vai ser a integração no SNS (que é o mesmo que dizer em clínicas privadas), que tipo de combate e perseguição vai haver às redes clandestinas, e os tão propalados planeamentos familiares e educações sexuais. A realidade não muda com uma simples alteração de lei, mas acredito que pode ser um impulso positivo para começar a trabalhar.
Apesar de ter votado Sim (desta vez, sem certezas), estive muito atenta ao argumentário do Não nesta campanha. Acho que não há muito que me distancie de uma certa forma de pensar de muitos defensores do Não, existe sobretudo um entendimento diferente quanto à forma prática de tentar tentar resolver o problema.
Li com maior prazer o Blogue do Não do que o Blogue do Sim.
Acho, por isso, lastimável que a verdadeira natureza de alguns "nãozistas" venha agora ao de cima. A Mafalda e o André Azevedo Alves devem com certeza, como "defensores da vida" que são, regozijar-se com a cultura da "vida" das 300 mil e tal "mortes" já praticadas sob a presente lei.
domingo, fevereiro 11, 2007
O clima, uma vez mais

Acabo de regressar de mesas de voto às moscas.
Ainda sem saber os resultados exactos da abstenção no referendo deste ano, não deixo contudo de sentir neste momento uma raiva muito grande pelas pessoas deste país. Não percebo qual é o problema dos portugueses. Sei que são tacanhos, medrosos, amorfos, provincianos, broncos, cobardes, invejosos, conformistas, pobres de espírito, ignorantes, eu sei que são isso tudo. Num país deste calibre, não me surpreendem os níveis de abstenção obscenos em eleições para o Parlamento Europeu (que é isso?). Pronto, até aí nada de novo.
Mas quanto ao aborto, que diz respeito a valores e emoções centrais, que não raras vezes desperta o que há de de mais primário nas pessoas, que as põe a chamar "assassinas" e "medievais" umas às outras (reacções típicas no fenómeno do futebol, que atrai definitivamente este povo), que diz directamente respeito a milhares de mulheres e seus mais chegados, eu não consigo perceber.
Quanto ao aborto, depois da vergonha que foi a ausência das urnas há 9 anos, depois de campanhas bem mais mobilizadoras, com multiplicação de movimentos cívicos, e com a certeza na cabeça de todos de que este é um problema que tem que ser resolvido, escapam-me os porquês deste comportamento.
Havia a praia em 1998, agora há chuva em 2007.
Não dá. Por mais que tentemos, é impossível fazer dos portugueses uma espécie civilizada e merecedora da democracia.
domingo, fevereiro 04, 2007
Porque é que "Imagine Me & You" é, apesar do argumento chapado das milhentas comédias românticas existentes, um bom filme

- porque não parece uma coisa "LGBT" - precisamente porque a história é igual a todas as outras. Não há dramas existenciais nem divagações sociológicas, não há gente com traumas, não há comportamentos psicóticos. É simples, breve, leve e agradável.
- porque detesto o L-Word (desde que isto passa na 2:, tenho suores frios só de pensar que a minha mãe pode estar a fazer zapping àquela hora), com aquele mulherio todo fechado no seu gueto.
- porque as personagens são bonitas, enxutas, com ar saudável, sem olheiras da noite nem pele manchada pelos dois maços de cigarros fumados por dia, sem o cinismo amargo da vida cruel em cima dos ombros.
- porque o filme termina sem que nenhuma delas se converta à heterossexualidade, entre em troca de casais ou em orgias desenfreadas, ou corte os pulsos no final, como é hábito.
Enfim. É precisamente por ser familiar que eu gostei do filme.
sexta-feira, fevereiro 02, 2007
Aborto - irritações III
D. José Policarpo: "educação sexual é necessária mas deve apontar para a castidade"
Outra vez? Padres a falar de sexualidade?
Mas que raio de atracção pelo desconhecido!
Pela nossa saúde, proíbam-nos!
A sério!
Outra vez? Padres a falar de sexualidade?
Mas que raio de atracção pelo desconhecido!
Pela nossa saúde, proíbam-nos!
A sério!
quinta-feira, fevereiro 01, 2007
Uma pessoa está sempre a aprender
Levei um raspanete de um colega de mestrado há uma semana atrás.Ficou indignado porque viu a revista ATLÂNTICO a espreitar fora da minha mochila e disse que eu andava a ler porcarias. Gostei do ar sapiente e de quem anda nisto há muitos anos com que usou o tom jocoso perante a minha juvenil tentativa de afirmação intelectual (eu sei que ele estava a tentar impressionar-me).
Anteontem, lá vinha ele com a revista americana THE ATLANTIC, edição de Janeiro/Fevereiro de 2007, esta sim, the real deal, prontinha para eu a levar para casa.
domingo, janeiro 28, 2007
sábado, janeiro 27, 2007
Grandes citações (ou isto sim é uma self-made-woman)
Acho isto bizarro
quarta-feira, janeiro 17, 2007
Já fico mais ou menos aliviada
Por o Luís Figo, o Pinto da Costa, o Cristiano Ronaldo e o Eusébio não aparecem no top ten d' "Os Grandes Portugueses". É caso para dizer UFF!!
Ainda assim, vinham quase todos à frente do Fernão de Magalhães.
Já o José Sócrates também estava bem colocado entre os melhores de sempre.
O povo português só pode ser imbecil - para quê tanta contestação nas ruas então?
Com tanta gente de inquestionável valor entre os 100 nomeados (Hélio Pestana, Maria do Carmo Seabra - nem é preciso mais nada, apenas ler o "currículo" dela no site do programa -, Otelo Saraiva de Carvalho, Catarina Eufémia, perdoem-me se falta alguém, temo estar a ser injusta!), eu percebo que tenha sido difícil arranjar um cantinho para a Carolina Salgado - mas que ela merecia, ah isso merecia.
Ainda assim, vinham quase todos à frente do Fernão de Magalhães.
Já o José Sócrates também estava bem colocado entre os melhores de sempre.
O povo português só pode ser imbecil - para quê tanta contestação nas ruas então?
Com tanta gente de inquestionável valor entre os 100 nomeados (Hélio Pestana, Maria do Carmo Seabra - nem é preciso mais nada, apenas ler o "currículo" dela no site do programa -, Otelo Saraiva de Carvalho, Catarina Eufémia, perdoem-me se falta alguém, temo estar a ser injusta!), eu percebo que tenha sido difícil arranjar um cantinho para a Carolina Salgado - mas que ela merecia, ah isso merecia.
terça-feira, janeiro 16, 2007
domingo, janeiro 14, 2007
O aborto - irritações II
Acabou de ser divulgado mais um estudo académico estrangeiro sobre os efeitos do aborto (todos os dias, lá vem um estudo. Muito se estuda sobre o caso, o que é facto é que certezas continua a não haver).
Este estudo, apresentado pelos adeptos do “não”, diz que o aborto aumenta as probabilidades de uma mulher vir a ficar depressiva. É estranha a forma como os do “não” se desviam constantemente do que eles próprios consideram ser fulcral em toda a questão (se o feto constitui ou não um “ser humano”), à cata de tudo o que possa servir.Se formos lá por causa das depressões, deveríamos fazer campanhas anti-gravidez, para que as mulheres não corressem o risco de terem uma depressão pós-parto.
Este estudo, apresentado pelos adeptos do “não”, diz que o aborto aumenta as probabilidades de uma mulher vir a ficar depressiva. É estranha a forma como os do “não” se desviam constantemente do que eles próprios consideram ser fulcral em toda a questão (se o feto constitui ou não um “ser humano”), à cata de tudo o que possa servir.Se formos lá por causa das depressões, deveríamos fazer campanhas anti-gravidez, para que as mulheres não corressem o risco de terem uma depressão pós-parto.
O aborto - irritações
Os adeptos do “sim” dizem muitas vezes que as campanhas do “não” são vergonhosas, pois mostram sempre muitas imagens de fetos abortados, que estes pretendem nada mais que chocar. O argumento deles é "chocar"! (suprema indignação). Mas aí é que está a questão. Se os do “sim” se sentem chocados, é porque do lado do “não” deve vir alguma razão. Se acham chocante a imagem de um feto abortado, é porque o aborto é, realmente, algo de muito mau, tão mau que torna vergonhosas - essas sim - algumas campanhas do "sim", que de forma triunfante querem fazer do aborto um "direito adquirido".
A falta de vergonha não tem limites

Fiquei a saber porque razão as minhas manhãs se complicam cada vez que os funcionários da Metro decidem fazer greve. Não só as minhas manhãs mas a própria economia do país, já que os portugueses, por norma, começam a trabalhar a meio da manhã; com as greves do metro, o dia só começa realmente quando já vai a meio.
A razão pela qual eu, mais uns largos milhares de pessoas, agora praticamente dia sim dia não, são sujeitos a um verdadeiro inferno antes de chegar ao trabalho é indecorosa, a roçar o pornográfico.
Os funcionários do Metro (gente com emprego para a vida, coisa que eu e a maioria dos da minha geração nunca saberão o que é) “manifestam-se” contra a revisão do contrato de empresa que, entre outras miudezas, pretende a redução dos 36 e meio dias de férias por ano actuais para os 28 dias e meio!! Que se lixe, literalmente, o resto da população que lhes paga o ordenado...
Se isto não é escabroso, eu vou ali e já venho.
terça-feira, janeiro 02, 2007
Apontamentos
Passei o Reveillon de 2007 (habitualmente, período de regabofe) em família, o que já não acontecia há largos anos.
Deslocámo-nos até às profundezas do Portugal profundo, a uma povoação ali para os lados da Beira Alta, perto de Viseu, no concelho de Mangualde (já quase em cima da Serra da Estrela), mais concretamente na freguesia de Abrunhosa a Velha: Vilamendo de Tavares. Acreditem, fica mesmo no meio do nada, um nada esplendoroso. Foi, ali, possível juntar família do meu pai e da minha mãe.
Desta passagem de ano, ficaram-me duas certezas absolutas: quero ter uma família grande e quero ter uma casa no campo.
Deslocámo-nos até às profundezas do Portugal profundo, a uma povoação ali para os lados da Beira Alta, perto de Viseu, no concelho de Mangualde (já quase em cima da Serra da Estrela), mais concretamente na freguesia de Abrunhosa a Velha: Vilamendo de Tavares. Acreditem, fica mesmo no meio do nada, um nada esplendoroso. Foi, ali, possível juntar família do meu pai e da minha mãe.
Desta passagem de ano, ficaram-me duas certezas absolutas: quero ter uma família grande e quero ter uma casa no campo.
Primeiras resoluções para 2007
Parar de dizer mal das pessoas (ou, pelo menos, moderar a dose). Ser mais boazita.
Tentar disfarçar a minha reacção snob-afectada cada vez que algumas pessoas abrem a boca.
Tentar não revirar os olhos cada vez que as pessoas falam por diminutivos (é que fico logo mal dispostinha).
Parar de vilipendiar as pessoas de Portugal e passar mais tempo ler a História do país que foi.
Gostar mais de pessoas.
E também lembrar-me que já paguei as propinas do mestrado e que agora as pessoas que nos dão aulas querem que entreguemos trabalhos (papers, para ser mais precisa).
É este o problema das resoluções de ano novo.
São pouco exequíveis.
Tentar disfarçar a minha reacção snob-afectada cada vez que algumas pessoas abrem a boca.
Tentar não revirar os olhos cada vez que as pessoas falam por diminutivos (é que fico logo mal dispostinha).
Parar de vilipendiar as pessoas de Portugal e passar mais tempo ler a História do país que foi.
Gostar mais de pessoas.
E também lembrar-me que já paguei as propinas do mestrado e que agora as pessoas que nos dão aulas querem que entreguemos trabalhos (papers, para ser mais precisa).
É este o problema das resoluções de ano novo.
São pouco exequíveis.
sábado, dezembro 30, 2006
Next Year Baby

Next year
Things are gonna change
Gonna drink less beer and start all over again
Gonna read more books, gonna keep up with the news
Gonna learn how to cook, spend less money on shoes
I’ll pay my bills on time and file my mail away, everyday
Only drink the finest wine and call my Gran every Sunday
Resolutions, baby they come and go
Will I do any of these things?
The answer's probably no
But if there’s one thing I must do, despite my greatest fears
I’m gonna say to you how I felt all of these years
Next Year
Next Year
Jamie Cullum
quarta-feira, dezembro 13, 2006
Tu, que entraste para Cirurgia Vascular
segunda-feira, dezembro 04, 2006
Estranho país
Subscrever:
Mensagens (Atom)
24 anos, velha carcaça.




