terça-feira, maio 08, 2007

quinta-feira, maio 03, 2007

sexta-feira, abril 27, 2007

Adolescência

Tive uma grande grande amiga de infância, com quem partilhei inúmeras aventuras engraçadas e memoráveis, que deixei de ver ao longo dos últimos anos .

Seguimos caminhos diferentes. Ela juntou-se a um grupo de jovens anarquistas anti-globalização, estilo de vida que a mim desde sempre causou grande espécie, inicialmente não tanto por motivos de ordem político-ideológica, mas porque sou uma criatura impregnada de bons hábitos burgueses e metiam-me impressão algumas práticas deles.

Gosto de higiene e de andar com o cabelo limpinho. Gosto de uma boa conversa civilizada. Gosto de ouvir música pop americana para além de outros estilos mais eruditos. Adoro comer carne. Gosto da comida de plástico MacDonalds apesar de não ser recomendável para a figura. Não gosto nada de ganzas nem de quem anda sempre ganzado. Gosto dos horários rotineiros, do quotidiano e do lazer depois do dever. Detesto acampar ou dormir ao relento. Gosto de poder esbanjar dinheiro ao meu gosto. Aprecio a existência de regras. Valorizo o conceito de respeito a uma autoridade legítima e, acima de tudo, gosto de estar no recato do lar e em família. Aquela gente não gosta de nada disso.

A partir de determinada altura, estar com ela passou a ser um martírio, pois tinha sempre que levar com a matilha mal-cheirosa em cima, e não lhe queria dizer os porquês do meu desconforto, pois ela não compreenderia. Uma vez, um camarada dela, com os dentes da frente literalmente todos podres, deu-me uma aula autêntica sobre a crítica de Marx, a mais genial cabeça humana, à sociedade capitalista. Por diversas vezes, entrei na casa "okupada" de Setúbal, para ver o que andavam por lá a fazer. Sempre os achei feios, porcos e maus, apesar de eles se acharem bonzinhos. Naturalmente, deixámos de fazer parte da vida uma da outra.

Voltei a vê-la na televisão há dois dias atrás, com as imagens da manifestação "contra o fascismo e o capitalismo" no Chiado. Não sei porquê, mas estas manifs acabam sempre em pancada. Ou melhor, sei: a ideia que comanda a vida dos okupados é a de levarem pancada e depois berrarem que levaram pancada. Eles querem apanhar da polícia, eles gostam de levar com os bastões em cima. É isso que eles querem. Percebi isso quando vi a minha amiga a sorrir triunfante e com os braços levantados em sinal de vitória, passando por um polícia.

Estas pessoas não crescem? Há coisas que tornam impossível a sobrevivência de uma grande amizade.


quarta-feira, abril 25, 2007

terça-feira, abril 17, 2007

Não se percebe



Nos EUA, põem-se as armas nas mãos dos cidadãos. Depois acontecem catástrofes.

sexta-feira, abril 13, 2007

Ganda festarola

As fotos da festa de lançamento do Pisa-Papéis 2007/2008, no Cabaret Maxime, na passada noite de 28 de Março, já estão disponíveis!

Aguarda-se agora nova referência do Professor Marcelo, nas suas sugestões livreiras dominicais, ao melhor dos roteiros das artes performativas.

sexta-feira, abril 06, 2007

Só agora é que eu me lembrei disto

Este blogue cheio de asneiras fez um ano de vida, tipo p'raí o mês passado, e eu nem reparei. Foi por isso que não houve por toda a blogosfera lusa aquele movimento típico de parabenizações (eu sempre quis usar esta palavra). Tivesse eu previamente anunciado a data, por certo os mais visíveis blogues da praça diriam "A Asneirada faz um ano. Parabéns por alguns dos textos mais incisivos e acutilantes da blogosfera portuguesa", com link a remeter.
.... NOT!

O meu esquecimento tem muito provavelmente que ver com o facto de eu não gostar de ler o que escrevo. Na verdade, tudo o que está para trás deste post, se eu fosse rever, suscitaria em mim uma reacção algo horrorizada próxima do "isto não é meu!". Honestamente, já nem do nome do blogue eu gosto. Remodelei graficamente o estabelecimento*, à semelhança do que se verifica na imprensa escrita, para sentir que acompanho as tendências. Mas acho que agora preferia o modelo visual que tinha antes. A minha relação com este blogue tornou-se um daqueles casamentos assumidos por causa de uma gravidez não planeada. Lá vou estando aqui, a espaços, presa a isto, a perguntar-me porque comecei, sempre à procura de conseguir mudar a outra parte. Não está em causa o ADN ideológico desta coisa: A Asneirada é um blogue anti-tuga, anti-benfiquista (o segundo é decorrência natural do primeiro), anti-islâmico, moderadamente pró-israelita, extremamente pró-judaico (seja lá o que isso for), absolutamente pró-ocidental, irracionalmente romântico, essencialmente seinfeldiano - ou seja, sobre nada e por nada. Porque se cria um blogue nos dias de hoje? Por nada. Porque gostamos de nós próprios. Porque ter um blogue é como enviar um sms.

O que me incomoda é que, quando não tenho tempo suficiente para me dedicar às coisas, a minha falta de engenho e arte entra pelos olhos a dentro. Por isso, este blogue, apesar das boas intenções, é somente uma coisinha qualquer.

* para os amigos da casa interessados em saber para onde foram os links, eles estão lá em baixo de tudo. Não sei porque é que foram parar ali.

quinta-feira, abril 05, 2007

Brilhante


Os Gatos fazem mais que os políticos todos juntos. Mas já temo por eles, que vão receber ameaças de morte em catadupa.

sexta-feira, março 30, 2007

Transfiguração


O amor entranha-se e alastra em mim de uma forma poderosa. Não conheço quem ame assim, de forma tão visceral, como eu. Claro que muitos pensarão desta maneira deles próprios. Mas eu, eu, eu amo como ninguém.

segunda-feira, março 26, 2007

Ressaca

Salazar venceu e Cunhal veio em segundo.
Estes factos, por acaso, até me dão alguma paz de espírito, pois isto quer dizer que não me devo sentir de consciência pesada por gostar de achincalhar as pessoas do Portugalinho neste blogue.

sábado, março 24, 2007

Experiência radical

Na última sexta-feira, por mera solidariedade profissional, e porque às vezes tenho dificuldade em arranjar uma desculpa esfarrapada para me conseguir escapar a programas em que eu não quero ser incluída, fui ver um espectáculo de revista. Sim, revista, aquela espécie de teatro de “gosto marcadamente popular” (Wikipedia), uma sucessão de sketches em palco que combinam momentos musicais de pessoas em roupas de gosto duvidoso (a primeira cena abriu com meninas em maiô) e momentos de suposta comédia em tom de gritaria estapafúrdia. Localização: uma academia recreativa num bairro tradicional de Lisboa. Horário: das 21h 50 à 1h da manhã – três horas daquilo mata qualquer um.
Pois cedo me apercebi do cenário de horror à volta. Povão, daquele povão realmente muito povil, vestido para ir à ópera. Dentro da sala, esperava-se o início do espectáculo ao som de música de carrinhos de choque. Percebi que a noite ia ser muito longa...
No fim da terapia de choque, foi-me permitido chegar a algumas conclusões desta autêntica visita de estudo. Há três coisas simples, muito simples, que bastam para pôr o povão a rir como se não houvesse amanhã: homens vestidos de mulheres, trocadilhos que sugiram alguma parte pudibunda do corpo humano e uma estalada aqui e ali – tudo repetido e repetido e repetido e repetido até à exaustão. Não falha. No fundo, os Malucos do Riso em versão ordinária extrema. O momento alto da noite foi ouvir os "BRAVÔ!" das senhoras na fila atrás da nossa. É disto que o povo gosta.

Mas feitas as contas não me posso queixar. Afinal, ri-me à brava daquela plateia durante toda a noite.

quinta-feira, março 22, 2007

Entretenimento do melhor

Valentim Loureiro, em directo, a esta mesma hora, na Judite de Sousa:

"Conheço vagamente a Dona Carolina Salgado, como companheira do senhor Pinto da Costa... Sempre foi uma senhora simpática... Até considerou ter três desígnios na vida: conhecer Sua Santidade o Papa, o senhor Pinto da Costa e a mim próprio"

OS ANIMAIS ENTRE NÓS



Juíza alemã cita o Corão para rejeitar divórcio de mulher espancada






Já vai nesta autêntica vergonha, a paulatina conquista da Europa por parte dessa religião pacífica e milenarmente martirizada pelo Ocidente, o Islão. Há já quem considere que a lei islâmica se pode sobrepôr às leis do Estado de direito. Tempos virão em que deixaremos de condenar o terrorismo, pois então se a jihad está prevista no Corão, só nos restará, obviamente, respeitar.

quinta-feira, março 15, 2007

Mais coisas que descobri há dias



Londres, por sua vez, parece ter o triplo dos muçulmanos que tinha há dez anos atrás. E o mais surpreendente é ver inúmeros letreiros em inglês e árabe, mesmo fora do "bairro" islâmico. E a quantidade de mulheres tapadas da cabeça aos pés só com os olhos a verem a luz do dia? "Culturas"...

Apesar disso (e por enquanto), Londres é aquela cidade.

Aliás, aquilo sim, é um país.

Coisas que descobri há dias




A definição oficial de tortura para mim tornou-se andar de avião. A viagem traduz-se numa angústia que chega à dor física.

E queriam as hospedeiras levar-me ao cockpit (doidas).







quarta-feira, março 14, 2007

Não há pachorra

Será apenas de mim ou é intragável a exploração até à náusea destes "casos" com nomes de criança ("Caso Esmeralda", "Caso da menina do hospital de Penafiel", mais o raio que o parta...)? Já me dá a volta ao estômago, cada vez que abre um telejornal, ter que levar com mais pormenores de última hora acerca da história sórdida da mulher queria prender o seu companheiro simulando uma gravidez falsa e raptando um recém-nascido do hospital. Como é possível que histórias destas ocupem os nossos noticiários dias a fio?

Honestamente, NÃO HÁ PACHORRA para este povão NEM HÁ PACHORRA para estes media. Há dois dias atrás, a capa do Público era quase inteiramente ocupada com uma foto das vizinhas da mãe biológica em poses de peixeirada (e o aspecto medonho dos protagonistas destas histórias? Os buços, os cabelos desalinhados, os dentes estragados, os "prontos" e os "c'a gente", e tudo e tudo e tudo?)

Quem permitiu o assalto desta gente ao nosso espaço público?

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Obrigada


Do fundo do coração, obrigada por teres vindo ao mundo, Norah.

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Salazar

O facto de Salazar ter surgido nos lugares da frente da corrida ao estatuto de melhor portugues de todos os tempos tem causado celeuma e grandes debates sobre os sentimentos da Nação. Mas a verdade é que não há explicação transcendente nenhuma para isto. O bondoso cavalheiro de Santa Comba tem alguns adeptos para além do grandessíssimo liberal André Azevedo Alves. É só ver o montalhão impressionante de blogues e sites da "causa nacionalista", de inspiração nazi-fascista, que apelam ao voto em massa no bondoso senhor e cujos autores gastaram provavelmente rios de dinheiro telefonando para o número de voto.

A modos que isto parece aquela vez no Big Brother em que a pobre Joana foi votada para sair porque os amigos do concorrente Lourenço, muito pouco popular na altura, "votaram" telefonicamente na ordem dos milhares de contos para o manter dentro da casa.

Para perceber certas coisas desta vida há que estar atento à cultura popular e ao mundo dos reality shows.

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Constatação

São tempos alucinantes estes.

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Sismo de 6 na escala de Richter

Foi a primeira vez que senti a terra a tremer debaixo dos pés.
A cadeira, o computador, a secretária, abanou tudo.

E, por fim, a idiotice veio ao de cima

Votei Sim porque entendo que o aborto é um mal que tem que ser, primeiro que tudo, conhecido e controlado, de forma a poder ser reduzido. Podemos achar que a lei ainda actual já prevê os casos excepcionais em que o aborto deve ser feito (continuo a achar incongruente a posição de quem concorda com esta lei, que prevê certo tipo de aborto, e brada pelo "direito inviolável à vida"); no entanto a presente realidade, de milhares de abortos por ano feitos não sabemos bem como (é a realidade da clandestinidade, do diz que fez, do "conheço uma pessoa que...") ultrapassa de forma gritante as "excepções" consideradas. Não vislumbro como é que votar Não seja a forma mais eficaz de atacar o problema. Estar à espera que a situação seja resolvida somente pelo planeamento familiar e pela educação sexual, sinceramente parece-me manifestamente insuficiente. Até porque há daquelas coisas engraçadas: quanto à educação sexual, tanto os do Sim como os do Não afirmaram a sua urgência, mas basta ver as reacções que se erguem cada vez que se fala na possibilidade de haver a dita cuja nas escolas. A hipocrisia não está só, como dizem, em votar Não e ir a Badajoz em caso de "complicação"...

Dito isto, não escondo a minha apreensão pelo que ainda vem por aí.
Que lei vai sair do resultado do referendo e quando, como vai ser a integração no SNS (que é o mesmo que dizer em clínicas privadas), que tipo de combate e perseguição vai haver às redes clandestinas, e os tão propalados planeamentos familiares e educações sexuais. A realidade não muda com uma simples alteração de lei, mas acredito que pode ser um impulso positivo para começar a trabalhar.

Apesar de ter votado Sim (desta vez, sem certezas), estive muito atenta ao argumentário do Não nesta campanha. Acho que não há muito que me distancie de uma certa forma de pensar de muitos defensores do Não, existe sobretudo um entendimento diferente quanto à forma prática de tentar tentar resolver o problema.
Li com maior prazer o Blogue do Não do que o Blogue do Sim.

Acho, por isso, lastimável que a verdadeira natureza de alguns "nãozistas" venha agora ao de cima. A Mafalda e o André Azevedo Alves devem com certeza, como "defensores da vida" que são, regozijar-se com a cultura da "vida" das 300 mil e tal "mortes" já praticadas sob a presente lei.

domingo, fevereiro 11, 2007

O clima, uma vez mais


Acabo de regressar de mesas de voto às moscas.

Ainda sem saber os resultados exactos da abstenção no referendo deste ano, não deixo contudo de sentir neste momento uma raiva muito grande pelas pessoas deste país. Não percebo qual é o problema dos portugueses. Sei que são tacanhos, medrosos, amorfos, provincianos, broncos, cobardes, invejosos, conformistas, pobres de espírito, ignorantes, eu sei que são isso tudo. Num país deste calibre, não me surpreendem os níveis de abstenção obscenos em eleições para o Parlamento Europeu (que é isso?). Pronto, até aí nada de novo.

Mas quanto ao aborto, que diz respeito a valores e emoções centrais, que não raras vezes desperta o que há de de mais primário nas pessoas, que as põe a chamar "assassinas" e "medievais" umas às outras (reacções típicas no fenómeno do futebol, que atrai definitivamente este povo), que diz directamente respeito a milhares de mulheres e seus mais chegados, eu não consigo perceber.
Quanto ao aborto, depois da vergonha que foi a ausência das urnas há 9 anos, depois de campanhas bem mais mobilizadoras, com multiplicação de movimentos cívicos, e com a certeza na cabeça de todos de que este é um problema que tem que ser resolvido, escapam-me os porquês deste comportamento.
Havia a praia em 1998, agora há chuva em 2007.
Não dá. Por mais que tentemos, é impossível fazer dos portugueses uma espécie civilizada e merecedora da democracia.

domingo, fevereiro 04, 2007

Porque é que "Imagine Me & You" é, apesar do argumento chapado das milhentas comédias românticas existentes, um bom filme


- porque não parece uma coisa "LGBT" - precisamente porque a história é igual a todas as outras. Não há dramas existenciais nem divagações sociológicas, não há gente com traumas, não há comportamentos psicóticos. É simples, breve, leve e agradável.

- porque detesto o L-Word (desde que isto passa na 2:, tenho suores frios só de pensar que a minha mãe pode estar a fazer zapping àquela hora), com aquele mulherio todo fechado no seu gueto.

- porque as personagens são bonitas, enxutas, com ar saudável, sem olheiras da noite nem pele manchada pelos dois maços de cigarros fumados por dia, sem o cinismo amargo da vida cruel em cima dos ombros.

- porque o filme termina sem que nenhuma delas se converta à heterossexualidade, entre em troca de casais ou em orgias desenfreadas, ou corte os pulsos no final, como é hábito.

Enfim. É precisamente por ser familiar que eu gostei do filme.

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Aborto - irritações III

D. José Policarpo: "educação sexual é necessária mas deve apontar para a castidade"

Outra vez? Padres a falar de sexualidade?
Mas que raio de atracção pelo desconhecido!
Pela nossa saúde, proíbam-nos!
A sério!

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Uma pessoa está sempre a aprender

Levei um raspanete de um colega de mestrado há uma semana atrás.
Ficou indignado porque viu a revista ATLÂNTICO a espreitar fora da minha mochila e disse que eu andava a ler porcarias. Gostei do ar sapiente e de quem anda nisto há muitos anos com que usou o tom jocoso perante a minha juvenil tentativa de afirmação intelectual (eu sei que ele estava a tentar impressionar-me).
Anteontem, lá vinha ele com a revista americana THE ATLANTIC, edição de Janeiro/Fevereiro de 2007, esta sim, the real deal, prontinha para eu a levar para casa.

domingo, janeiro 28, 2007

sábado, janeiro 27, 2007

Grandes citações (ou isto sim é uma self-made-woman)


"Quando as pessoas falam de mim, dizem "Paris", só "Paris", não "Paris Hilton". Ganhei a pulso o privilégio de ser conhecida unicamente pelo meu nome. E foi um trabalho muito duro".

in El Mundo

Acho isto bizarro



O software do meu telemóvel novo é preguiçoso.

Quando tem a carga completa, apresenta-se como "TOTALM. CARREG."

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Já fico mais ou menos aliviada

Por o Luís Figo, o Pinto da Costa, o Cristiano Ronaldo e o Eusébio não aparecem no top ten d' "Os Grandes Portugueses". É caso para dizer UFF!!
Ainda assim, vinham quase todos à frente do Fernão de Magalhães.

Já o José Sócrates também estava bem colocado entre os melhores de sempre.
O povo português só pode ser imbecil - para quê tanta contestação nas ruas então?

Com tanta gente de inquestionável valor entre os 100 nomeados (Hélio Pestana, Maria do Carmo Seabra - nem é preciso mais nada, apenas ler o "currículo" dela no site do programa -, Otelo Saraiva de Carvalho, Catarina Eufémia, perdoem-me se falta alguém, temo estar a ser injusta!), eu percebo que tenha sido difícil arranjar um cantinho para a Carolina Salgado - mas que ela merecia, ah isso merecia.

terça-feira, janeiro 16, 2007

A canção da minha vida

domingo, janeiro 14, 2007

O aborto - irritações II

Acabou de ser divulgado mais um estudo académico estrangeiro sobre os efeitos do aborto (todos os dias, lá vem um estudo. Muito se estuda sobre o caso, o que é facto é que certezas continua a não haver).
Este estudo, apresentado pelos adeptos do “não”, diz que o aborto aumenta as probabilidades de uma mulher vir a ficar depressiva. É estranha a forma como os do “não” se desviam constantemente do que eles próprios consideram ser fulcral em toda a questão (se o feto constitui ou não um “ser humano”), à cata de tudo o que possa servir.Se formos lá por causa das depressões, deveríamos fazer campanhas anti-gravidez, para que as mulheres não corressem o risco de terem uma depressão pós-parto.

O aborto - irritações

Os adeptos do “sim” dizem muitas vezes que as campanhas do “não” são vergonhosas, pois mostram sempre muitas imagens de fetos abortados, que estes pretendem nada mais que chocar. O argumento deles é "chocar"! (suprema indignação). Mas aí é que está a questão. Se os do “sim” se sentem chocados, é porque do lado do “não” deve vir alguma razão. Se acham chocante a imagem de um feto abortado, é porque o aborto é, realmente, algo de muito mau, tão mau que torna vergonhosas - essas sim - algumas campanhas do "sim", que de forma triunfante querem fazer do aborto um "direito adquirido".

A falta de vergonha não tem limites


Fiquei a saber porque razão as minhas manhãs se complicam cada vez que os funcionários da Metro decidem fazer greve. Não só as minhas manhãs mas a própria economia do país, já que os portugueses, por norma, começam a trabalhar a meio da manhã; com as greves do metro, o dia só começa realmente quando já vai a meio.

A razão pela qual eu, mais uns largos milhares de pessoas, agora praticamente dia sim dia não, são sujeitos a um verdadeiro inferno antes de chegar ao trabalho é indecorosa, a roçar o pornográfico.

Os funcionários do Metro (gente com emprego para a vida, coisa que eu e a maioria dos da minha geração nunca saberão o que é) “manifestam-se” contra a revisão do contrato de empresa que, entre outras miudezas, pretende a redução dos 36 e meio dias de férias por ano actuais para os 28 dias e meio!! Que se lixe, literalmente, o resto da população que lhes paga o ordenado...

Se isto não é escabroso, eu vou ali e já venho.

terça-feira, janeiro 02, 2007

Apontamentos

Passei o Reveillon de 2007 (habitualmente, período de regabofe) em família, o que já não acontecia há largos anos.
Deslocámo-nos até às profundezas do Portugal profundo, a uma povoação ali para os lados da Beira Alta, perto de Viseu, no concelho de Mangualde (já quase em cima da Serra da Estrela), mais concretamente na freguesia de Abrunhosa a Velha: Vilamendo de Tavares. Acreditem, fica mesmo no meio do nada, um nada esplendoroso. Foi, ali, possível juntar família do meu pai e da minha mãe.

Desta passagem de ano, ficaram-me duas certezas absolutas: quero ter uma família grande e quero ter uma casa no campo.

Primeiras resoluções para 2007

Parar de dizer mal das pessoas (ou, pelo menos, moderar a dose). Ser mais boazita.
Tentar disfarçar a minha reacção snob-afectada cada vez que algumas pessoas abrem a boca.
Tentar não revirar os olhos cada vez que as pessoas falam por diminutivos (é que fico logo mal dispostinha).
Parar de vilipendiar as pessoas de Portugal e passar mais tempo ler a História do país que foi.
Gostar mais de pessoas.

E também lembrar-me que já paguei as propinas do mestrado e que agora as pessoas que nos dão aulas querem que entreguemos trabalhos (papers, para ser mais precisa).

É este o problema das resoluções de ano novo.
São pouco exequíveis.

sábado, dezembro 30, 2006

Next Year Baby














Next year
Things are gonna change
Gonna drink less beer and start all over again
Gonna read more books, gonna keep up with the news
Gonna learn how to cook, spend less money on shoes
I’ll pay my bills on time and file my mail away, everyday
Only drink the finest wine and call my Gran every Sunday
Resolutions, baby they come and go
Will I do any of these things?
The answer's probably no
But if there’s one thing I must do, despite my greatest fears
I’m gonna say to you how I felt all of these years
Next Year
Next Year

Jamie Cullum

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Tu, que entraste para Cirurgia Vascular

Acho que esta é a oportunidade certa para eu mostrar toda a minha maturidade e racionalidade, e formalmente declarar-me...

COMPLETAMENTE DOIDA DE ORGULHO!!

(beijo*)

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Estranho país

"Não passa um mês sem uma candidatura portuguesa ao livro das bizarrias (Guiness): se não é a feijoada mais comprida em cima de uma ponte, é a do maior clube do mundo que não chega aos oitavos da Liga dos Campeões"

Ferreira Fernandes, Correio da Manhã 3 Dez 2006

quarta-feira, novembro 29, 2006

Reclamação sobre as palavras-cruzadas do Público

Só gostava que me dissessem como é que alguém deste mundo é capaz de decifrar "Planta oleaginosa originária de Timor" ou "Fenol que se extrai da essência do tomilho e é empregado como anti-séptico e anti-helmíntico" ...

quinta-feira, novembro 23, 2006

She


O jornalista que fez a entrevista à Paula Teixeira da Cruz do Público de hoje errou no mais importante. Destacou em título uma declaração banal e algo previsível, quando o mais sintomático está escondido algures no meio do texto: "O PSD não é um partido de direita". Se nos parece que o PS governa à direita, não nos supreendamos se nos próximos anos houver maior confusão ainda quanto à questão ideológica na política dos nossos dias.

Acho muita piada à Paula Teixeira da Cruz. E ainda que ela se farte de dizer que não quer cargos políticos nem está interessada em subir a escadaria do poder, eu acredito e espero que ela chegue um dia ao topo governativo no nosso país.

Seja como for, não deixem de decorar este nome.

domingo, novembro 19, 2006

Choldra ignóbil

Hoje o Jornal da SIC dedicou a abertura e e a totalidade dos primeiros dez minutos à tragédia sem precedentes para o país que foi a derrota do Benfica e às palavras duras do presidente para com os jogadores, que por certo vão ficar traumatizados e ter pesadelos nas próximas noites.

sexta-feira, novembro 17, 2006

quarta-feira, novembro 15, 2006

O meu horóscopo de hoje, no Metro, previsão de Andreia Gaita

Hoje vai encontrar uma moeda da sorte no passeio. A seguir vai pensar: "bolas, é só um cêntimo, que raio de sorte é essa?"

terça-feira, novembro 14, 2006

segunda-feira, novembro 13, 2006

A ignorância

O meu ritmo cardíaco está acima das cento e quarenta batidas por minuto desde o último mês de Janeiro. Ainda não parei para descansar, acho que ainda não dormi (mas tenho medo que seja tudo um sonho). Tenho um nó na barriga que não desata. E transpiro subitamente em determinadas alturas, tanto que parece que fico sem músculo e que me falham as pernas. E acontece também dizer coisas parvas por vezes, especialmente quando acho que tudo tem que ser perfeito. E há mais motivos de estupefacção: a ânsia por te ver, como se fosse sempre a primeira vez. Não interessa para o caso que te conheça já de olhos fechados: os momentos que antecedem o nosso reencontro são sobretudo inquietação. Torno-me impulsiva e não penso duas vezes: acho-me capaz de largar tudo o que faço no momento só para ir segurar a tua mão. E há uma dúvida que me intriga desde o início de tudo: não sei se sou assim por natureza, se és tu que me pões desta maneira. Não sei se esta é a minha maneira de gostar ou se é a consciência de ter nas mãos o maior amor de sempre. Não sei se sou protagonista espontânea ou se parte de algo infinitamente superior a mim.
Não sei o que é.
Não sei.

sábado, novembro 11, 2006

Pensamento

Não seria engraçado ver a foto de Hillary Clinton, Angela Merkel e Ségolène Royal numa cimeira daqui a dois anos?

2008: qual deles?

Al Gore, 58
Partido Democrata




Rudolph Giuliani, 62
Partido Republicano




2008: qual deles?


Condoleeza Rice, 52
Partido Republicano



Barack Obama, 45
Partido Democrata

2008: qual deles?

John McCain, 70
Partido Republicano





Hillary Clinton, 59
Partido Democrata

sexta-feira, novembro 10, 2006

Democracy

A primeira mulher speaker na Câmara dos Representantes, o primeiro muçulmano no Congresso, um órgão legislativo verdadeiramente oposto ao poder executivo (ao contrário da democracia europeia, em que o primeiro é quase uma emanação do segundo), uma afluência absolutamente fenomenal dos eleitores às urnas. É a democracia americana.

quarta-feira, novembro 08, 2006

O meu horóscopo de hoje, no Metro, previsão de Andreia Gaita

Não olhe para nenhuma montra hoje, ver todas aquelas coisas que não pode comprar faz-lhe mal.

domingo, novembro 05, 2006

Forca



Sou contra a pena de morte.

sábado, novembro 04, 2006

Dia 3

Tudo o que eu quero na vida é amor e uma cabana (fashion).

sexta-feira, novembro 03, 2006

Começou a discussão do aborto

Ó, deixa-me perplexa a tua argumentação relativamente ao referendo do aborto. O teu discurso é pródigo em considerações moralistas e acusatórias, dizes que o aborto é atropelar uma vida, que não se pode ceifar uma vida, que abortar é matar (presumo que o faças equivaler a matar um ser nascido), mas depois afirmas concordar com a actual lei. Ou seja, concordas que no caso de mal-formação do feto, não há ali vida. Aí já se pode permitir ceifar um ser humano. Claro, que chatice, ter um filho deficiente, prefiro ter um perfeitinho, bendita liberdade de escolha...
E crianças fruto de violações? Sim, essas também podem ser abortadas, pois foram concebidas em pecado e não foram planeadas nem desejadas (quantas não o são?...). “É triste”, mas concordas. Porquê, santo Deus?

Ou és contra o aborto, todo o aborto, ponto final, ou és a favor da escolha consciente e individualizada. Não consigo encontrar justificação para essas excepções, se atender à forma como dizes conceber o acto de abortar.

Concordo contigo numa coisa: para quê a porcaria do referendo? Há duas razões para se fazer um referendo sobre o aborto. Uma já a indicaste, é o desiderato governamental de nos dar qualquer coisa picante para nos entretermos enquanto nos cortam tudo e mais alguma coisa. A segunda é a cobardia, a falta de tomates para decidir no Parlamento tudo o que tenha a ver com as questões ditas fracturantes.

O meu horóscopo de hoje, no Metro, previsão de Andreia Gaita


Hoje não mexa em vídeos. Só se vai irritar.

quinta-feira, novembro 02, 2006

Manifesto

Detesto chuva.
Detesto chuva.
Detesto chuva.
Detesto chuva.
Detesto chuva.
Detesto chuva.
Detesto chuva.
Detesto chuva.
Detesto chuva.

sábado, outubro 28, 2006

sexta-feira, outubro 27, 2006

Curioso...


" Golfinhos e leões também são 'gays'

Girafas, baleias, golfinhos, escaravelhos, cisnes e até leões. Estas são apenas algumas das 1500 espécies em que já foram observados comportamentos homossexuais, como mostra uma exposição patente até ao próximo Verão no Museu de História Natural de Oslo, na Noruega.

Intitulada "Contra Natura?", a exposição pretende questionar a premissa de que a homossexualidade não é natural. "Pensámos que, enquanto instituição científica, podíamos contestar o argumento de que o modo de vida das pessoas homossexuais é contrário aos princípios da natureza", explicou um do organizadores, Geir Soeli.

A exposição recorre a fotografias e reconstituições para dar exemplos de comportamentos homossexuais, em ambos os géneros, entre uma enorme diversidade de espécies. "Desde mamíferos a caranguejos e vermes. Esse comportamento pode ser raro nalguns animais e apenas numa parte da sua existência, mas outros praticam-no durante toda a vida", diz Petter Boeckman, consultor académico da exposição. "A homossexualidade é não só comum, como essencial na vida de numerosas espécies". O chimpanzé-anão, por exemplo, uma espécie que partilha com o homem 99% do seu património genético, é bissexual e usa o sexo para reduzir a agressividade e resolver conflitos. Também entre golfinhos e baleias assassinas a homossexualidade é muito comum. Nestas espécies, a ligação entre machos e fêmeas é efémera, mas entre machos pode durar anos.

O tema foi ignorado durante séculos, com os comportamentos homossexuais a serem considerados como rituais de combate entre machos, mas os primeiros registos de "atitudes equívocas" entre animais, remontam a três séculos antes de Cristo, pelo filósofo grego Aristóteles. "Não eram descritos como actividade homossexual, como pulsão de desejo", diz Soeli. "Mas os animais têm instintos muito fortes. Talvez acasalem simplesmente por ser agradável".

A exposição tem tido muitas visitas, incluindo famílias e crianças, que percorrem sem estranheza a sala do Museu de História Natural, mas não deixou de suscitar críticas. Um comentador americano afirmou que é um exemplo de "propaganda a invadir o mundo científico", enquanto um pastor luterano norueguês foi mais longe e desejou que os responsáveis pela mostra "ardessem no inferno". Outro, da Igreja Pentecostal, disse que o dinheiro dos contribuintes seria melhor gasto a ajudar os animais a corrigir "as suas perversões e desvios ".

DN, 27/10/2006

Já decidi


Em consciência, cumpri o meu dever cívico. O pior português de sempre é D. Sebastião.

Entretanto, outros dos piores, Pedro Santana Lopes, regressou à ribalta para criticar o actual ministro da Economia por ter usado uma frase sua: "A crise acabou". Santana Lopes quer cobrar direitos de autor.

quinta-feira, outubro 26, 2006

sexta-feira, outubro 20, 2006

Pussycat Dolls abespinham-se e respondem ao clérigo islâmico

I Don't Need a Man

quinta-feira, outubro 19, 2006

Porque é importante bater nas mulheres

quarta-feira, outubro 18, 2006

Os Grandes Portugueses

Ó, acho simpática e positiva a iniciativa da RTP de fazer um programa sobre “Os Grandes Portugueses”, mas não tanto porque se vai escolher o maior português de todos os tempos. Aliás, nunca voto em programas de televisão, são sempre uma maneira de nos sacar até ao tutano o dinheiro do telemóvel. E não acho possível determinar o "maior português" da história.

O que eu acho importante neste programa é que existe um vasto conjunto de portugueses que os próprios portugueses desconhecem ou cuja relevância ignoram, e é sempre bom ir mais além da trilogia Camões-Amália-Eusébio típica do imaginário (se bem que colocar Camões e Eusébio no mesmo plano é daquelas coisas...). Eu tenho a certeza que muita gente não sabe que o primeiro homem a liderar uma viagem de circum-navegação e primeiro europeu a navegar o Pacífico era português e se chamava Fernão de Magalhães. E outros: Ribeiro Sanches, Pedro Nunes, Aristides de Sousa Mendes ou o Papa João XXI são figuras tão marginais porquê?
Talvez seja uma boa oportunidade para ficarmos todos a saber um pouco mais.

Na lista proposta, há também coisas que se estranham, tais como terem incluído Salazar só depois dos protestos pela sua ausência inicial. Ou ainda: João César Monteiro. Estamos a falar do realizador de “Branca de Neve”? (para quem não sabe, refiro que o mero visionamento de um excerto deste filme é uma experiência traumática). Ou ainda o rei D. Sebastião – que eu sabia, trata-se dos “grandes portugueses”, não dos portugueses famosos.

Para que serve a unhaca?

Anteontem fui atendida por um funcionário público que possuía todos os traços de portugalidade que se prezam no macho lusitano: funcionário público precisamente, bigode farfalhudo, barriga proeminente e uma unhaca no dedo mindinho da mão direita. A unhaca é aquela unha inexplicavelmente mais crescida do que as restantes.

Já dei voltas à cabeça e é sempre árduo compreender para que serve a misteriosa unhaca portuguesa. Há duas hipóteses de partida: ou aquilo serve uma função estética ou uma função prática. Das duas uma. Mas eu recuso-me a acreditar na função estética. Simplesmente porque não posso acreditar que alguém encare a unhaca como um pormenor de estilo. Não quero perder completamente a réstia de fé que ainda tenho na humanidade.

Resta a função prática. A unhaca tem uma função prática, e pelo aspecto da coisa (ou muito escura ou muito amarelecida), verdadeiramente multi-usos. Será provavelmente para remoção / desaparafusamento / limpeza de orifícios humanos / abertura de objectos difíceis. Consta que a unhaca também serve para coçar partes do corpo complicadas de aceder. Servirá ainda para tocar a guitarra portuguesa? (algo me diz que poderá haver também aí uma ligação). Ou seja, os suíços têm o seu canivete, os tugas têm a sua unhaca. Será?

Mas tudo isto não passa de especulação. Fosse eu jornalista, não hesitaria em fazer uma reportagem sobre a unhaca portuguesa e ouvir da boca dos protagonistas porque a ostentam com tanto orgulho.

sábado, outubro 14, 2006

Romantismo é

Entrarmos no supermercado para ir buscar o que faz falta em casa.

Orhan Pamuk, Nobel da Literatura 2006


" O que é verdadeiramente fatal para a Turquia é não ter uma democracia desenvolvida. (...) Estou a marimbar-me para a questão da União Europeia, contando que a Turquia tenha uma democracia. Quero ser capaz de dizer tudo aquilo que desejo dizer, sem correr o risco de ser linchado por campanhas fascistas ou acabar na prisão "

(El País, 24-09-2006)

quinta-feira, outubro 12, 2006

O fim do Fim da História, II

A História encarregar-se-á de sublinhar o falhanço monumental da primeira Administração Bush (2000-2004), que começou verdadeiramente a partir do 11 de Setembro de 2001, e o significado especial que teve a ascenção do neoconservadorismo nos círculos do poder norte-americano.

Em Janeiro de 2002, George W. Bush definiu como grande ameaça à segurança dos EUA (e, por conseguinte, do “mundo livre”) um “Eixo do Mal” constituído pelo Iraque, pelo Irão e pela Coreia do Norte (por esta ordem), como regimes que apoiam e financiam o terrorismo e procuram armas de destruição maciça. Este discurso entrou para o anedotário e Bush foi pela enésima vez chamado de asno. Quase cinco anos depois, os principais problemas dos EUA (e, por conseguinte, do “mundo livre”) são o Iraque, o Irão e a Coreia do Norte. Mas, ao que tudo indica, o governo norte-americano errou de forma trágica: adiou os perigos maiores e entrou a matar com as ameaças menores.

Quem esteve por detrás da decisão de invadir o Iraque, usando o argumento das armas de destruição maciça?

O neoconservadorismo surgiu nos EUA na década de 1960, de intelectuais desiludidos com a extrema-esquerda trotskista, anti-estalinista. Os neoconservadores são, por isso, e como o nome indica, “novos conservadores”, por oposição aos conservadores tradicionais, dos quais é representativa a direita religiosa americana. A grande diferença entre os neoconservadores e a outra direita é que os primeiros são gente com um percurso académico brilhante; são intelectuais, com presença habitual nos centros de pensamento (think tanks), distintos das franjas populistas e ignorantes da outra direita; são internacionalistas, defendem o activismo dos EUA no mundo, dedicam-se sobretudo a pensar a política externa (a direita tradicional é isolacionista). Não obstante, as duas direitas juntaram-se no governo de W. Bush.

Os neoconservadores começaram por ganhar espaço na comunicação social, nos thinks tanks, em inúmeras publicações, jornais e programas de televisão. Nas últimas décadas, têm ocupado lugares importantes na Administração, no Pentágono e nos serviços secretos. Paul Wolfowitz, Donald Rumsfeld, Dick Cheney (governo), Richard Perle (conselheiro), Abram Shulsky (Pentágono), Eliot Abrahms e Stephen Cambone (serviços secretos), Clarence Thomas e Richard Bork (tribunais), William Kristol (fundador do neoconservadorismo americano), William F. Buckley, Robert Kagan, John Bolton e William Bennett são influências decisivas na Casa Branca. Os académicos Francis Fukuyama (“O Fim da História”) e Samuel Huntington (“O Choque de Civilizações”, teorizando um futuro combate entre o Ocidente e o Islão, sistemas antagónicos) são outros neoconservadores muito tidos em conta.

Os neoconservadores herdaram do trotskismo o princípio da exportação da ideologia, neste caso, a democracia americana, entendida como moralmente superior mas permanentemente ameaçada no mundo contemporâneo. Fazem uma crítica cultural e moral às instituições americanas e pretendem recuperar tradições clássicas.

O principal inspirador intelectual do neoconservadorismo norte-americano é um filósofo judeu de nome Leo Strauss, fugido à Alemanha nazi e que se estabeleceu na academia norte-americana a partir da década de 60. Strauss pretendeu, através dos autores clássicos, lutar contra os paradigmas que fazem da sociedade contemporânea uma sociedade nihilista. Tinha um profundo desprezo pelo caos da Alemanha de Weimar, que abriu portas ao nazismo e ao Holocausto, e viu nela um espelho da sociedade americana do pós-II Guerra Mundial, contaminada pelo relativismo e pelo positivismo, onde se tinham perdido os valores da ordem, da moralidade. Deu a receita: para combater a tendência auto-destrutiva da democracia contemporânea, há que recuperar padrões antigos.

Leo Strauss falou do “drama do Ocidente”, de uma civilização que distorceu o seu pensamento metafísico e chegou a um ponto de indefinição existencial. A modernidade, iniciada com Maquiavel, Hobbes e Locke, é produto de uma nova concepção de natureza humana que inevitavelmente desembocou no nihilismo, no humanismo radical ateizante, modificando toda a ideia que temos da existência em comunidade.

Segundo Strauss, a civilização ocidental tem como fontes primordiais dois elementos antagónicos mas factores da vitalidade do Ocidente: a Fé e a Razão, a Bíblia e a Filosofia, Jerusalém e Atenas. Jerusalém (o judaico-cristianismo) é o elemento que representa a moralidade necessária, a ordem, a unidade, a obediência. Atenas representa a Grécia antiga, a racionalidade clássica, uma ordem que reconhece a superioridade intelectual dos sábios e em que a justiça (em Platão, associada à atribuição adequada das funções a cada indivíduo) é a maior virtude. Se é impossível uma harmonização completa entre Jerusalém e Atenas, nem uma nem outra podem ser definitivamente derrotadas, e a sua eterna tensão é fundamental para compreender o Ocidente. Tanto em Jerusalém como em Atenas existe uma consciência semelhante de obrigatoriedade e de obediência. O predomínio de uma tradição sobre a outra resultará na revolta e na violência.

Apesar de ser preferir o espírito crítico ao espírito bíblico, Strauss vê qualquer uma das escolhas, revelação ou razão, como tendo que ser respeitadas. A religião é uma opção que não pode ser refutada. Sendo ele próprio parte de uma comunidade religiosa (apesar de cedo se ter afastado da ortodoxia dos seus familiares), possuía uma forte consciência da sua herança cultural. Refere muitas vezes a religião como factor de coesão, lealdade e sentido moral na comunidade. O ateísmo da modernidade é fruto da pseudo-filosofia que julga que todas as religiões são arbitrárias e que exalta a satisfação dos desejos particulares de cada indivíduo. A religião é a prevenção contra a tendência moderna da perturbação da ordem moral. Começa aqui a componente cínica do straussianismo, pois Strauss foi intimamente ateu e nihilista a vida inteira, como são a maioria dos neoconservadores actuais.

Seja como for, Strauss procura claramente em Atenas a solução para os males da modernidade. A filosofia clássica, sobretudo o platonismo, é o modelo para remediar os excessos e as deficiências do pensamento moderno. A filosofia clássica procura a transcendência enquanto a modernidade baseia-se na imanência. Em Atenas, a noção de Bem traduz-se na vida em comunidade (o homem é um animal social – Aristóteles). Nesta ordem natural, há uma característica hierárquica que deve ser absolutamente respeitada.
Aquilo que Strauss vê em Platão é a verdadeira essência do filósofo, que percebe e defende a causa da filosofia, mas que reconhece que esta pode ser tanto remédio como veneno. Apesar de ser a mais nobre e elevada das diligências (seguida da política), a filosofia constitui uma ameaça permanente para as bases morais e autoritárias da sociedade. O filósofo está acima dos comuns, não vive assaltado pelos mesmos desejos que a grande maioria dos homens. Vive serena e tranquilamente, acima do medo, mas também acima da esperança, situação que provém da sua resignação. O que Platão compreendeu, ao contrário de Sócrates (visto por Strauss como exemplo do perigo da filosofia, por o método socrático consistir no diálogo aberto e interrogativo com os jovens), é que o filósofo deve tomar precauções para impedir que a filosofia agite as fundações da sociedade. Os sábios devem moderar a verdade da comunidade – a exposição da filosofia às massas é um erro trágico.

Leo Strauss não terá sido o primeiro a falar sobre o ensino esotérico, mas é o expoente máximo dessa teoria nos dias de hoje: os filósofos devem recorrer a uma escrita obscura para os textos filosóficos, evitando que as ideias perigosas destruam o equilíbrio da sociedade. Ideias que apenas possam ser entendidas nas entrelinhas pelos sábios ao longo da história. Começa aqui o elitismo do straussianismo: há uma desigualdade erradicável entre os homens, uma hierarquia no topo da qual está um grupo iluminado de pessoas com capacidade para proteger o conhecimento filosófico.

Para Strauss, existe um conjunto de questões fundamentais que ocupam o pensamento dos filósofos, de natureza essencialmente político-teológica. Os filósofos, não pretendendo governar, espera-se que tenham influência determinante junto dos que têm o poder, para que os legisladores tenham uma acção sensata no momento de estabelecer medidas que fortaleçam a sociabilidade dos cidadãos. A difusão da Verdade, da cruel verdade filosófica, seria catastrófica: a de que não existem deuses que castiguem ou recompensem o bem e o mal praticados, que a vida após a morte é uma ficção, que a história da Humanidade não é mais do que uma poeira insignificante do cosmos, que não existem nem Bem nem Mal em si, que a natureza humana é indiferente aos valores e às necessidades humanas. Os filósofos são homens serenos e equilibrados, mais que ateus, são cépticos e epicuristas.

Na governação, é natural e necessário que a verdade seja escondida à grande maioria. Não se trata de manipulação pura e simples, mas sim de evitar, através da noble lie, que o preconceito, a ignorância e a sensibilidade emocional das gentes comuns impeçam a governação política. A dissimulação é necessária em política. Foi com uma noble lie que os EUA avançaram para o Iraque.

Para Strauss, o grande pecado de Maquiavel foi ter revelado a verdade, e aí teve início a modernidade, o antropocentrismo, o humanismo, o individualismo. Maquiavel descreveu os homens como naturalmente egoístas, ambiciosos e sedentos de poder sobre os outros. Interessou-se por aquilo que o Homem é e não pelo que ele devia ser, pela psicologia da política, pelas paixões que inspiram o comportamento político. Com a abertura da filosofia e a emancipação das paixões das massas, a Humanidade progride materialmente, mas cai no vazio absoluto.

A última fase da modernidade, da crise do Ocidente, aquela em que nos encontramos hoje, é segundo Strauss a era do nihilismo. Vivemos uma crise existencial assustadora, estamos completamente livres para criar os valores segundo os quais pretendemos viver. Cada um por si. A modernidade distancia-se cada vez mais da sociedade clássica. É urgente recuperar a filosofia pré-moderna. Com esse intuito, Strauss criou os seus próprios “discípulos”.

Os neoconservadores foram profundamente influenciados pelo straussianismo, alguns deles directamente. Paul Wolfowitz e Abram Shulsky foram alunos de Strauss e de Allan Bloom, o mais proeminente seguidor straussiano na academia norte-americana.

Para os neoconservadores, é fundamental manter a coesão e estabilidade internas e a guerra perpétua é uma das melhores maneiras de o garantir. A diplomacia é um mero jogo de distracção, já que os inimigos são definidos por antecipação. Defendem, internamente, uma sociedade guiada por princípios morais e aí, bebe-se na religião. Os neocons são a favor da religião no espaço público, mesmo que eles próprios não sejam crentes.

Os neoconservadores escolheram a “capital" do império islâmico, Bagdad (que é também a capital do futuro califado ambicionado por Bin Laden), como o ponto de partida da exportação da democracia norte-americana num mundo pós-11 de Setembro. A doutrina Bush previa que o terrorismo e a hostilidade islâmica face aos EUA e, num âmbito mais alargado, ao Ocidente, seriam combatidas com a mudança dos regimes políticos dos países do Médio Oriente. O Iraque, liderado por um ditador decrépito e com uma longa história com a Casa Branca, era apesar de tudo um país laicizado, perfeito para a repetição da experiência por que passou a Turquia que, na década de 1920, foi sujeita às reformas modernas e ocidentalizantes de Mustafa Kemal Ataturk. Noutras palavras, começar no Iraque, contra o qual tinha havido já uma guerra rápida e bem-sucedida, o “efeito-dominó” – coisa que falhara no Vietname.

Os EUA ignoraram o facto de que a sociedade iraquiana está fracturada ao meio pelas duas tendências político-teológicas, o sunismo (40% no Iraque, largamente maioritário no mundo islâmico) e o xiismo, para além da eternamente massacrada minoria curda. Sunitas e xiitas andam hoje envolvidos numa guerra civil interminável nas ruas iraquianas, que servem hoje também como um dos maiores impulsos da tendência terrorista islâmica.

Os EUA ignoraram que invadir o Iraque, destronar Saddam Hussein e fazer daquele país o maior caos à face da terra era o melhor favor que poderia ser feito ao Irão, grande inimigo do Iraque, que à altura ainda tinha um presidente considerado “moderado”. O Irão é um caso à parte no mundo islâmico, é persa e é maioritariamente xiita, e o seu protagonismo sempre foi contrariado por outros países muçulmanos, sobretudo a Arábia Saudita, sunita e árabe. Com o Irão a assumir o papel de líder no confronto com os EUA e nos discursos anti-Israel, o mundo islâmico encontra-se apaziguado perante a ascendência da Pérsia.

Sobretudo, os EUA ignoraram que, se se acreditar efectivamente no choque de civilizações tal como os neoconservadores acreditam, então fazer uma guerra desastrosa no meio do coração do Islão é a última das soluções.

Com um lunático como o presidente da Coreia do Norte, Kim Il-Jong, à solta, os EUA não têm hoje grande capacidade para fazer valer a sua autoridade nem os seus esforços diplomáticos, aos quais foram dados prioridade na 2ª Administração, com a ascensão de Condoleeza Rice e o afrouxamento da tendência neoconservadora em detrimento da realista.

Conclusão: o “Eixo do Mal”, se não existia antes, existe hoje. E o ar anda por estes dias praticamente irrespirável.

segunda-feira, outubro 09, 2006

O fim do Fim da História

Quando o Muro de Berlim caiu em 1989 e Francis Fukuyama profetizou um “Fim da História” com o triunfo da democracia capitalista, nem o mais paranóico do comum cidadão ocidental imaginaria que dali por quinze anos estaria a viver ainda mais sobressaltado do que nas quatro décadas anteriores. Não bastou a ascensão do islamo-fascismo para desmentir Fukuyama. O regime mais ditatorial da terra acaba de experimentar a bomba atómica. Já não nos bastava tudo o resto. O então anedótico discurso de Bush (ainda que não tenha saído da cabeça dele) que colocava o Irão e a Coreia do Norte num suposto “eixo do mal” terá sido mais certeiro do que a análise do reverenciado académico Fukuyama.
Pobre Ocidente.

domingo, outubro 08, 2006

5 estrelas

Ninguém vai querer perder a campanha incrível com que "o maior jornal diário português", o Correio da Manhã, decidiu presentear os seus leitores:

VEJA COM OS SEUS PRÓPRIOS OLHOS O MESMO QUE A IRMÃ LÚCIA VIU

sexta-feira, outubro 06, 2006

Isto sim, é serviço público de televisão









A RTP, naquelas rubricas educativas sobre como falar português decentemente, teve hoje uma ideia de génio. Pois não é que foi buscar o líder espiritual incontestado da maioria da população tuga (6 milhões no rectângulo, 14 milhões no mundo, dizem as "estatísticas"), o Xô Luís Filipe Vieira, como o exemplo a não seguir! Gosto mesmo destes tipos da RTP... Esclareço: numa entrevista recente a Judite de Sousa, LFV disse "hádem" em vez de "hão-de". Mais uma para a lista de atropelos à Língua.

Sempre me fascinou Luís Filipe Vieira. Repare-se no porte, na beleza, na elegância, na nobreza. Toda a portugalidade ali concentrada, toda a boçalidade típica, aquele dialecto com que comunica com os seus semelhantes - sempre completo com o "hum" no final de cada frase - , o papel de "Justiceiro" que encarna na missão patriótica de limpar o emporcalhado futebol português (visando-se a si próprio, o que é de enaltecer), são coisas de me fazer vir lágrimas aos olhos. Luís Filipe Vieira faz jus ao cargo que ostenta e não há nada melhor do que o homem certo para o lugar certo.

Foi uma noite muito especial



Neste 5 de Outubro, vi os gatos mais giros e talentosos à face da terra!

Acreditavam no Pai Natal









Acho um tanto ou quanto exageradas as reacções do povo húngaro nas ruas de Budapeste. Hoje foram mais 50 mil a exigir a demissão do primeiro-ministro, após a divulgação de uma cassete em que este dizia que o governo tinha mentido para ganhar as eleições. Eu cá, quando ouvi a notícia, só me deu para bocejar. O governo mentiu para ganhar eleições? Banal.
Gente ingénua, estes húngaros.

sábado, setembro 30, 2006

Uma geração enganada













Em poucas áreas os equívocos foram maiores do que no ensino. Em Portugal, inquéritos à origem social dos estudantes e contas sobre o rendimento previsível dos licenciados levaram sistematicamente à ideia de que um diploma era um “privilégio”: para os bem-aventurados, era uma forma de se reproduzirem; para os outros, um meio de ascenderem. Era de facto assim. Mas a partir daí imaginou-se que a questão era expandir esse “privilégio” administrativamente, de maneira mais barata e expedita. A facilidade passou a ser encarada como um princípio de justiça social. A mínima referência à qualidade levava a suspeitas de “elitismo”.

Gerações sucessivas atravessaram um sistema de ensino calafetado em geral contra qualquer forma de avaliação externa, onde a aquisição de competências e conhecimentos foi frequentemente secundária em relação a objectivos de suposta inclusão social. Durante anos, enquanto o Estado, sempre em expansão, absorveu metade dos licenciados, tudo correu mais ou menos bem, por entre discussões inconclusivas acerca das “reformas estruturais”.

Foi assim quase até ao verão de 2005. Então, subitamente, o mundo mudou. Agora, talvez demasiados jovens estejam condenados a descobrir que passaram pelo equivalente escolar das fábricas de têxteis e de calçado mais obsoletas. Pedem-lhes agora para competir num “mercado global”. Hão-de perceber, da pior maneira, que o sistema de ensino não os habilitou verdadeiramente para nada que não fosse o mundo que acabou. Que vão fazer? Ou antes: que podem fazer?

Houve em Portugal gerações que gozaram a festa. Haverá um dia gerações que já não vão esperar festa nenhuma. Mas há, neste momento, gerações que foram convidadas para uma festa que acabou antes de eles chegarem. Histórias destas nunca terminam bem
.

Rui Ramos (Público 28 SET 2006)

domingo, setembro 24, 2006

The miseducation of JFFR

A outra noite, passei os olhos pela nova telenovela da SIC, “Jura”. Deu logo para perceber o que vinha por ali. Sexo ousado (muito bom para “abrir mentalidades”, dizem), traições e infidelidades a rodos, casais que se trocam num swing não oficializado, casamentos falhados (essa inevitabilidade dos tempos modernos).

No dia seguinte, vi na rua um enorme cartaz promocional da nova novela, que anunciava: “O filme das nossas vidas”.

Em toda a minha ingenuidade, formulei, incrédula, esta questão para mim mesma: Meu Deus, é isto a vida?

sábado, setembro 23, 2006

Shaná Tová


No calendário judaico, marca-se hoje o início de 5767. Celebra-se Rosh Hashaná, o começo de um novo ano. Em simultâneo, comemora-se o aniversário da criação do Homem. Conta-se que desde aí, cinco judeus mudaram o curso da História.

Houve Moisés, que disse: "TUDO é a lei".
Veio Jesus, que anunciou: "TUDO é amor".
Surgiu Marx, que afirmou: "TUDO é capital".
Freud apareceu então, para chocar: "TUDO é sexo".
Einstein, por fim: "Tudo é RELATIVO".

Balanço provisório

À segunda ronda do combate entre semanários (EXPRESSO e SOL), continuo fiel ao EXPRESSO. Os temas de fundo são mais relevantes do que os até agora adiantados pelo SOL - as ilicitudes de Isaltino (assunto já muito batido) e as relações de amizade de Proença de Carvalho com pessoas importantes do PS não trazem, sinceramente, nada de novo. E, sobretudo, o EXPRESSO tem mais e melhor opinião.

Curiosa foi a entrevista do director do SOL, José António Saraiva, à Judite de Sousa, em que dizia que o novo semanário ia ser muito apelativo junto do sector feminimo e que também por isso o SOL seria um projecto inovador. Porquê?, perguntou Judite. Responde JAS: "Sei lá, tem uma coluna sobre sexo da Margarida Pinto Rebelo e uma secção de jardinagem, por exemplo".

Futurologia: o FC Porto será campeão nacional



Quatro jogos, quatro vitórias, primeiro lugar na classificação, o melhor ataque e a melhor defesa.

segunda-feira, setembro 18, 2006

CARTA ABERTA AO MUNDO ISLÂMICO

Querido Mundo Islâmico,

Parece que andas irritado connosco e que exiges um pedido formal de desculpas do Papa. Andámos outra vez a falar do vosso Profeta e, como civilização decadente que somos, parece que nunca queremos saber da vossa hipersensibilidade. Shame on us.
Mas caro Mundo Islâmico, se me permites, eu já há muito que espero um pedido de desculpas da tua parte e esse dia nunca chegou. Por isso, querido Mundo Islâmico, de civilização para civilização, já que vamos entrar numa de diplomacia, gostava que tu me pedisses desculpa pelos seguintes acontecimentos:

- por o Bin Laden e os seus amigos terem dito que pretendiam recuperar o Al-Andaluz para o Islão. É irritante, sobretudo para quem vive aqui na Ibéria...

- por os Talibãs terem destruído à bomba uma das grandes obras de arte da humanidade, os Budas de Bamyan. Foi extremamente desagradável...

- por cada vez que vocês são acusados de violentos, vocês sairem às ruas para protestar com... mais violência. É confuso, sobretudo para as nossas esquerdas, sempre a dizerem que vocês no fundo são bons rapazes...

- pelo assassinato de Theo Van Gogh. Que diabo, um homem já não pode fazer um filme...

- por o Presidente do Irão já ter dito mais que uma vez que o Holocausto nunca existiu e que Israel deve ser apagado do mapa. Que querem, fico também eu hispersensível nessas alturas...

- por enforcarem homossexuais na praça pública. Estou a chatear-vos em demasia com esta coisa insólita dos direitos humanos?

- por os Talibãs terem, durante 7 anos, obrigado as mulheres a saírem à rua embrulhadas como se fossem uma mercadoria. É só que é inestético, choca-me...

- por em Londres terem sido exibidos cartazes que diziam “Freedom Go To Hell”, “Behead Those Who Ofend Muhammed” e “ Islam Will Rule the World”. Sinto-me ofendida...

- pela sentença de morte lançada sobre o Salman Rushdie. É simplesmente ultrajante...

- por acharem que os Judeus devem ser todos atirados ao mar e não terem qualquer pudor em declará-lo. Podias, querido Mundo Islâmico, pelo menos ser um bocadinho mais polido?

- por me chamarem cruzada, infiel, decadente, a toda a hora. É chato...

- por um desenho do vosso Profeta ter dado direito a Embaixadas destruídas, bandeiras queimadas, gritos de guerra e declarações de ódio. Se vocês andam de mal com a vida, não descarreguem as vossas frustrações em nós...

- pela decapitação de Daniel Pearl e todos os outros jornalistas . Ainda hoje espero um pedido de desculpas...

- por os vossos mais encarniçados líderes se terem associado aos comunistas e neonazis do lado de cá. Havia necessidade de reavivarmos velhos fantasmas? Havia?

- por terem saído à rua para festejar a queda das Twin Towers. Em duas palavras: mau gosto...

- por terem trazido a poligamia para o centro da Europa. É indecente...

- e, last but not least (muito ficou por enumerar), por Nova Iorque, Bali, Casablanca, Madrid, Cairo, Istambul, Jacarta, Amã, Beslan, Londres, Bombaim - e Israel desde sempre.


Exijo um pedido de desculpas. Já.

Atenciosamente,
JFFR

quinta-feira, setembro 14, 2006

Não percebo

Ao cabo de meses, ainda não consegui decifrar o cabelo do Frederico Fritzenwalden. Uma primeira vista sugere-me cor de ferrugem. É um laranja acastanhado ou um castanho alaranjado, não sei; quiseram dar-lhe um ar nórdico, mas pô-lo completamente louro talvez não fosse credível... A solução foi isto. O que eu sei é que aquilo não é cor de cabelo e mete dó. E quem não sabe fica a saber que o príncipe encantado em questão é filho do Diogo Freitas do Amaral.

segunda-feira, setembro 11, 2006

domingo, setembro 10, 2006

Sobre Ele, II

O medo não se extingue, jamais (pensavam? Enganaram-se). Poderá adormecer, mas renasce a dobrar. Em que se traduz afinal esta coisa tenebrosa? Na certeza de que o que separa a felicidade da miséria é uma linha tão, tão ténue. Um extracto de poeira. Traduz-se na constatação lúcida de que o destino, apesar de ser destino, por vezes não se cumpre, e que sou impotente para travar essa lei da natureza.
Traduz-se no maior paradoxo de todos: a angústia de querer saber o futuro quando desconhecê-lo é a mais desejável forma de ignorância. O medo é a dor por antecipação.

Mas não é altura para pensar nisto.
Amanhã é dia 11 de Setembro.

sexta-feira, setembro 08, 2006

Notícias frescas do fabuloso universo do Islão

Pensava eu que já tinha visto o suficiente para ficar impressionada, mas qual quê. A polícia saudita deve andar com pouca coisa para fazer e viu-se obrigada a ser criativa para não morrer de tédio. Agora, na Arábia Saudita, tornou-se proibida a venda de cães e gatos, porque se trata de uma má influência Ocidental (...esta parte era dispensável, vocês já tinham adivinhado). O próximo passo será certamente considerá-los bichos infiéis ao Profeta e passíveis de levar com uma fatwa em cima.

Lindos países, estes.




Os camelos ainda são permitidos

quarta-feira, setembro 06, 2006

.

De vez em quando, acontecem coisas que deitam logo por terra longos períodos de engenharia mental, durante os quais procuro reunir razões que me convençam de que sim senhor, existe um significado qualquer por detrás de tudo isto; sim, há um sentido oculto, mas belo necessariamente; não, o mundo não é uma tragédia - o bem normalmente acaba por prevalecer sobre o mal; não andamos todos por aqui à toa. E não consigo provar que Ele não existe, o que, por incrível que pareça, é suficiente para me ir contentando.

Ontem à hora do jantar, para além de ficar sem vontade de comer, veio ao de cima toda a veia nihilista que há em mim.
Uma investigadora portuguesa foi assassinada. Vejamos os pormenores: uma mulher cheia de boa vontade (queria contribuir para um mundo melhor, dizia ela) foi até ao lugar mais remoto do mundo - os confins da floresta amazónica - para concluir a tese de doutoramento, e encontrava-se a tomar banho numa zona isolada; por ali andava um ex-presidiário regenerado (mulher e filhos) que, por ter andado a beber, se encontrava desvairado. Resultado: ela é violada, espancada, asfixiada, arrastada e deixada a apodrecer num ermo.

Esqueçam todas as boas intenções. Não há sentido num mundo em que estas duas criaturas se cruzam no local mais inóspito da terra e o mau destrói o bom desta maneira. Por absolutamente Nada.

domingo, setembro 03, 2006

sábado, setembro 02, 2006

Ronron




A criatura que maior inspiração exigiu à Providência Divina foi sem dúvida o gato.

24 anos, velha carcaça.