
(para o Júlio).
bebendo da melhor tradição seinfeldiana, este é um blogue sobre nada.
Tive uma grande grande amiga de infância, com quem partilhei inúmeras aventuras engraçadas e memoráveis, que deixei de ver ao longo dos últimos anos .Seguimos caminhos diferentes. Ela juntou-se a um grupo de jovens anarquistas anti-globalização, estilo de vida que a mim desde sempre causou grande espécie, inicialmente não tanto por motivos de ordem político-ideológica, mas porque sou uma criatura impregnada de bons hábitos burgueses e metiam-me impressão algumas práticas deles.
Gosto de higiene e de andar com o cabelo limpinho. Gosto de uma boa conversa civilizada. Gosto de ouvir música pop americana para além de outros estilos mais eruditos. Adoro comer carne. Gosto da comida de plástico MacDonalds apesar de não ser recomendável para a figura. Não gosto nada de ganzas nem de quem anda sempre ganzado. Gosto dos horários rotineiros, do quotidiano e do lazer depois do dever. Detesto acampar ou dormir ao relento. Gosto de poder esbanjar dinheiro ao meu gosto. Aprecio a existência de regras. Valorizo o conceito de respeito a uma autoridade legítima e, acima de tudo, gosto de estar no recato do lar e em família. Aquela gente não gosta de nada disso.
A partir de determinada altura, estar com ela passou a ser um martírio, pois tinha sempre que levar com a matilha mal-cheirosa em cima, e não lhe queria dizer os porquês do meu desconforto, pois ela não compreenderia. Uma vez, um camarada dela, com os dentes da frente literalmente todos podres, deu-me uma aula autêntica sobre a crítica de Marx, a mais genial cabeça humana, à sociedade capitalista. Por diversas vezes, entrei na casa "okupada" de Setúbal, para ver o que andavam por lá a fazer. Sempre os achei feios, porcos e maus, apesar de eles se acharem bonzinhos. Naturalmente, deixámos de fazer parte da vida uma da outra.
Voltei a vê-la na televisão há dois dias atrás, com as imagens da manifestação "contra o fascismo e o capitalismo" no Chiado. Não sei porquê, mas estas manifs acabam sempre em pancada. Ou melhor, sei: a ideia que comanda a vida dos okupados é a de levarem pancada e depois berrarem que levaram pancada. Eles querem apanhar da polícia, eles gostam de levar com os bastões em cima. É isso que eles querem. Percebi isso quando vi a minha amiga a sorrir triunfante e com os braços levantados em sinal de vitória, passando por um polícia.
Estas pessoas não crescem? Há coisas que tornam impossível a sobrevivência de uma grande amizade.


Londres, por sua vez, parece ter o triplo dos muçulmanos que tinha há dez anos atrás. E o mais surpreendente é ver inúmeros letreiros em inglês e árabe, mesmo fora do "bairro" islâmico. E a quantidade de mulheres tapadas da cabeça aos pés só com os olhos a verem a luz do dia? "Culturas"...
Apesar disso (e por enquanto), Londres é aquela cidade.
Aliás, aquilo sim, é um país.
A definição oficial de tortura para mim tornou-se andar de avião. A viagem traduz-se numa angústia que chega à dor física.
E queriam as hospedeiras levar-me ao cockpit (doidas).
O facto de Salazar ter surgido nos lugares da frente da corrida ao estatuto de melhor portugues de todos os tempos tem causado celeuma e grandes debates sobre os sentimentos da Nação. Mas a verdade é que não há explicação transcendente nenhuma para isto. O bondoso cavalheiro de Santa Comba tem alguns adeptos para além do grandessíssimo liberal André Azevedo Alves. É só ver o montalhão impressionante de blogues e sites da "causa nacionalista", de inspiração nazi-fascista, que apelam ao voto em massa no bondoso senhor e cujos autores gastaram provavelmente rios de dinheiro telefonando para o número de voto.

Levei um raspanete de um colega de mestrado há uma semana atrás.Os adeptos do “sim” dizem muitas vezes que as campanhas do “não” são vergonhosas, pois mostram sempre muitas imagens de fetos abortados, que estes pretendem nada mais que chocar. O argumento deles é "chocar"! (suprema indignação). Mas aí é que está a questão. Se os do “sim” se sentem chocados, é porque do lado do “não” deve vir alguma razão. Se acham chocante a imagem de um feto abortado, é porque o aborto é, realmente, algo de muito mau, tão mau que torna vergonhosas - essas sim - algumas campanhas do "sim", que de forma triunfante querem fazer do aborto um "direito adquirido".



Seja como for, não deixem de decorar este nome.
Ó, deixa-me perplexa a tua argumentação relativamente ao referendo do aborto. O teu discurso é pródigo em considerações moralistas e acusatórias, dizes que o aborto é atropelar uma vida, que não se pode ceifar uma vida, que abortar é matar (presumo que o faças equivaler a matar um ser nascido), mas depois afirmas concordar com a actual lei. Ou seja, concordas que no caso de mal-formação do feto, não há ali vida. Aí já se pode permitir ceifar um ser humano. Claro, que chatice, ter um filho deficiente, prefiro ter um perfeitinho, bendita liberdade de escolha...
E crianças fruto de violações? Sim, essas também podem ser abortadas, pois foram concebidas em pecado e não foram planeadas nem desejadas (quantas não o são?...). “É triste”, mas concordas. Porquê, santo Deus?
Ou és contra o aborto, todo o aborto, ponto final, ou és a favor da escolha consciente e individualizada. Não consigo encontrar justificação para essas excepções, se atender à forma como dizes conceber o acto de abortar.
Concordo contigo numa coisa: para quê a porcaria do referendo? Há duas razões para se fazer um referendo sobre o aborto. Uma já a indicaste, é o desiderato governamental de nos dar qualquer coisa picante para nos entretermos enquanto nos cortam tudo e mais alguma coisa. A segunda é a cobardia, a falta de tomates para decidir no Parlamento tudo o que tenha a ver com as questões ditas fracturantes.


Quando o Muro de Berlim caiu em 1989 e Francis Fukuyama profetizou um “Fim da História” com o triunfo da democracia capitalista, nem o mais paranóico do comum cidadão ocidental imaginaria que dali por quinze anos estaria a viver ainda mais sobressaltado do que nas quatro décadas anteriores. Não bastou a ascensão do islamo-fascismo para desmentir Fukuyama. O regime mais ditatorial da terra acaba de experimentar a bomba atómica. Já não nos bastava tudo o resto. O então anedótico discurso de Bush (ainda que não tenha saído da cabeça dele) que colocava o Irão e a Coreia do Norte num suposto “eixo do mal” terá sido mais certeiro do que a análise do reverenciado académico Fukuyama.



Ao cabo de meses, ainda não consegui decifrar o cabelo do Frederico Fritzenwalden. Uma primeira vista sugere-me cor de ferrugem. É um laranja acastanhado ou um castanho alaranjado, não sei; quiseram dar-lhe um ar nórdico, mas pô-lo completamente louro talvez não fosse credível... A solução foi isto. O que eu sei é que aquilo não é cor de cabelo e mete dó. E quem não sabe fica a saber que o príncipe encantado em questão é filho do Diogo Freitas do Amaral.
Pensava eu que já tinha visto o suficiente para ficar impressionada, mas qual quê. A polícia saudita deve andar com pouca coisa para fazer e viu-se obrigada a ser criativa para não morrer de tédio. Agora, na Arábia Saudita, tornou-se proibida a venda de cães e gatos, porque se trata de uma má influência Ocidental (...esta parte era dispensável, vocês já tinham adivinhado). O próximo passo será certamente considerá-los bichos infiéis ao Profeta e passíveis de levar com uma fatwa em cima.